Espaço Aberto
Século XXI - Um basta para o
preconceito no Metrô
Há 16 anos fui
empregado da Cia do Metropolitano. Porém em novembro de 2004 fui
demitido. Quando recebi o telegrama de demissão encontrava-me em
afastamento médico por ter sofrido um acidente dentro da Cia. Devido à
pressão que vem sendo imposta pela atual direção, na ocasião do
acidente não me afastei do trabalho. Após solicitar informalmente ao
GRH e ao GSI explicações sobre a minha demissão, não obtive resposta e
segui o procedimento, emitindo o recurso administrativo.
Para a minha
surpresa, até o Diretor Administrativo se colocou soberano à Lei e
indeferiu meu recurso, não me deixando outra alternativa a não ser a
de procurar um advogado.
Em 20/01/05 foi a
primeira audiência. Fiquei feliz por meus amigos se negarem a
testemunhar contra mim, salvo o Sr. Alves, que prontamente se ofereceu
para prestar depoimentos a favor da empresa.
Confesso que
fiquei preocupado, pois ele poderia usar de má fé para me prejudicar.
Porém foi a minha melhor testemunha, não desmerecendo o depoimento do
meu coordenador e do supervisor que ora trabalha comigo, que foram
muito corajosos, pois diante de tanto terrorismo em nossa gerência não
se intimidaram e testemunharam a meu favor.
Quando a Juíza
perguntou ao Alves qual o motivo da minha demissão, ele respondeu que
fui demitido por quebra de confiança. A Juíza não entendeu e solicitou
que ele explicasse melhor. Ele detalhou que a quebra de confiança se
deu devido ao vereador ter solicitado ao presidente da Cia. uma
promoção para mim, complementando ainda que a promoção não saiu por eu
ter dito que ele e o gerente da GSI estavam me perseguindo, ficando
claro que minha demissão foi por perseguição.
Devido o ocorrido
na audiência, o gerente da GSI ficou indignado. Em reunião com os
supervisores no dia 28/01/2005 ele me chamou de “perninha”, fazendo
referência pejorativa ao acidente que sofri. Diante de mais uma
atitude inescrupulosa, solicitei a abertura de um processo criminal no
Juizado Especial de Pequenas Causas contra ele, para reparação de
danos morais.
Gostaria de deixar
claro que o valor da ação é irrisório pelos danos morais que sofri,
pois o principal interesse é a sua condenação. Só assim ele perceberá
que não pode expor pessoas de forma irresponsável e preconceituosa.
Companheiros, por
muitas vezes me acovardei, tive medo de represália, porém resolvi
ocupar este espaço para denunciar as mazelas que vêm ocorrendo na
atual administração, e ressalto que tal informação foi entregue ao
governador Geraldo Alckmin no dia 19/02/2005.
Nós metroviários,
que nos dedicamos à esta empresa, não podemos permitir que as chefias
nos tratem com desrespeito, nem tão pouco nos intimidem com atitudes
arbitrárias que caracterizam o assédio moral.
*Maurício
Alves, ex-metroviário