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Nº 471 - 13/04/2005

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Privatização do Metrô de Buenos Aires

A metroviária argentina Virginia Bouvet, em visita ao Sindicato dos Metroviários de São Paulo, fez uma análise sobre a privatização do metrô de Buenos Aires e da luta da categoria em defesa dos direitos trabalhistas

Virginia iniciou a sua intervenção cumprimentando os metroviários brasileiros e agradecendo o convite do Sindicato para falar da realidade dos metroviários argentinos.

Ela foi membro, durante quatro anos, do Corpo de Delegados do Metrô de Buenos Aires e está no Brasil representando os metroviários argentinos.

Segundo Virgínia, faz 11 anos que o metrô de Buenos Aires foi privatizado, o que resultou em mais de duas mil demissões, o aumento da jornada de trabalho de 36 para 48 horas e a redução dos salários.

Durante estes anos, os metroviários argentinos estavam organizados em um Sindicato Nacional que defendia os interesses dos patrões e que acompanhou a precarização do emprego e a terceirização de vários setores, como o da limpeza.

Ela conta que após anos de organização de base, os metroviários argentinos acumularam forças e promoveram greves contra as demissões e conseguiram avançar em algumas reivindicações em 1997. Também frearam o processo de terceirização dos setores de manutenção.

Em 2000, os metroviários, com maioria opositora ao sindicato nacional, recuperaram a representação no corpo de delegados sindicais. Também impediram, com medidas de força, a eliminação do posto de segurança, a reconquista da jornada de 36 horas, a incorporação dos setores de limpeza e manutenção no acordo coletivo e, recentemente, contra uma imposição legal que limitava a 20% o índice máximo de reajuste, conquistaram um aumento salarial de 44%.

Para Virginia, o processo de privatização na Argentina demonstrou ser um negócio em beneficio de poucos. “Eles levam o lucro e não têm responsabilidade com o serviço público oferecido à população, o que resultou em um mal negócio para a sociedade. A luz, o gás, o petróleo, a telefonia, as linhas aéreas, tudo foi privatizado. Os preços das tarifas aumentaram, mesmo tendo subsídio estatal, e a qualidade dos serviços caiu. Os novos administradores do metrô não investem nenhum recurso próprio e apenas gerenciam os lucros”, afirmou a metroviária.

Ela afirma que as políticas neoliberais não se revertem apenas com a luta dos metroviários, sendo necessário à incorporação de outras categorias, mas falta unidade entre os trabalhadores para fazer o enfrentamento.

Virginia considera relevante a necessidade dos trabalhadores elaborarem um plano para o transporte na Argentina e a ampliação das mobilizações para que o governo adote esta política.

 
 
 
 
 
 

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