Privatização do Metrô de Buenos Aires
A
metroviária argentina Virginia Bouvet, em visita ao Sindicato dos
Metroviários de São Paulo, fez uma análise sobre a privatização do
metrô de Buenos Aires e da luta da categoria em defesa dos direitos
trabalhistas
Virginia iniciou a
sua intervenção cumprimentando os metroviários brasileiros e
agradecendo o convite do Sindicato para falar da realidade dos
metroviários argentinos.
Ela foi membro,
durante quatro anos, do Corpo de Delegados do Metrô de Buenos Aires e
está no Brasil representando os metroviários argentinos.
Segundo Virgínia,
faz 11 anos que o metrô de Buenos Aires foi privatizado, o que
resultou em mais de duas mil demissões, o aumento da jornada de
trabalho de 36 para 48 horas e a redução dos salários.
Durante estes
anos, os metroviários argentinos estavam organizados em um Sindicato
Nacional que defendia os interesses dos patrões e que acompanhou a
precarização do emprego e a terceirização de vários setores, como o da
limpeza.
Ela conta que após
anos de organização de base, os metroviários argentinos acumularam
forças e promoveram greves contra as demissões e conseguiram avançar
em algumas reivindicações em 1997. Também frearam o processo de
terceirização dos setores de manutenção.
Em 2000, os
metroviários, com maioria opositora ao sindicato nacional, recuperaram
a representação no corpo de delegados sindicais. Também impediram, com
medidas de força, a eliminação do posto de segurança, a reconquista da
jornada de 36 horas, a incorporação dos setores de limpeza e
manutenção no acordo coletivo e, recentemente, contra uma imposição
legal que limitava a 20% o índice máximo de reajuste, conquistaram um
aumento salarial de 44%.
Para Virginia, o
processo de privatização na Argentina demonstrou ser um negócio em
beneficio de poucos. “Eles levam o lucro e não têm responsabilidade
com o serviço público oferecido à população, o que resultou em um mal
negócio para a sociedade. A luz, o gás, o petróleo, a telefonia, as
linhas aéreas, tudo foi privatizado. Os preços das tarifas aumentaram,
mesmo tendo subsídio estatal, e a qualidade dos serviços caiu. Os
novos administradores do metrô não investem nenhum recurso próprio e
apenas gerenciam os lucros”, afirmou a metroviária.
Ela afirma que as
políticas neoliberais não se revertem apenas com a luta dos
metroviários, sendo necessário à incorporação de outras categorias,
mas falta unidade entre os trabalhadores para fazer o enfrentamento.
Virginia considera
relevante a necessidade dos trabalhadores elaborarem um plano para o
transporte na Argentina e a ampliação das mobilizações para que o
governo adote esta política.