Ainda é cedo para comemorarmos o Dia
Internacional do Trabalhador. O momento é de darmos continuidade à
história de lutas representada por esta data, originada em 1886, em
Chicago, quando milhares de trabalhadores deflagraram uma greve
reivindicando a redução da jornada de trabalho de 16 para 8 horas.
O momento é de celebrar a iniciativa da
Internacional Socialista, que oficializou tal data em 1890, em Paris,
com o objetivo de homenagear os mártires de Chicago e, de lutar contra
a repressão de manifestantes, como a
que ocorreu em Chicago, quando oito
militantes foram condenados à morte, quatro enforcados, e um
suicidou-se.
Igualmente, é hora de avaliarmos tudo o
que conquistamos de 1895 pra cá.
Neste ano o Centro Socialista de Santos
deu início às celebrações do 1º de maio no Brasil, e em 1924 o
presidente Arthur Bernardes implantou um decreto lei tornando a data
feriado nacional. Com esse exercício, nos deparemos com uma série de
conquistas dos trabalhadores, como a criação da Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT) e a promulgação da Constituição Federal, que
garantem, entre outros, a organização sindical e o direito à greve. No
entanto, temos que ter a consciência de que, hoje, essas garantias
estão ameaçadas pela aprovação da PEC 369, que institui a reforma
sindical.
Temos que saber que, em pleno século XXI,
tendo como presidente um ex-sindicalista, 16,7% dos trabalhadores, só
de São Paulo, sobrevivem com até um salário mínimo por mês, e que no
Brasil ainda existe a exploração do trabalho infantil e a prática da
escravidão.
Assim, fica fácil compreender que o
momento não é para festejarmos, mas sim lutarmos pela modificação
deste contexto, em defesa da redução da jornada de trabalho, sem
diminuição de salário; das políticas públicas; da interrupção da
política econômica do ministro Palocci; contra a PEC 369, as
contratações irregulares e o aumento do mercado de trabalho informal;
e todas as medidas que impedem a valorização dos trabalhadores e o
desenvolvimento do Brasil.
Teremos motivos para comemorar no tempo em
que essas reivindicações forem atendidas, que houver criação de
empregos, justa distribuição de renda, e que os trabalhadores forem
reconhecidos como os principais agentes das realizações e
transformações desse país.