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Nº 472 - 01/05/2005

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Editorial

1º de maio é pra lutar

Ainda é cedo para comemorarmos o Dia Internacional do Trabalhador. O momento é de darmos continuidade à história de lutas representada por esta data, originada em 1886, em Chicago, quando milhares de trabalhadores deflagraram uma greve reivindicando a redução da jornada de trabalho de 16 para 8 horas.

O momento é de celebrar a iniciativa da Internacional Socialista, que oficializou tal data em 1890, em Paris, com o objetivo de homenagear os mártires de Chicago e, de lutar contra a repressão de manifestantes, como a

que ocorreu em Chicago, quando oito militantes foram condenados à morte, quatro enforcados, e um suicidou-se.

Igualmente, é hora de avaliarmos tudo o que conquistamos de 1895 pra cá.

Neste ano o Centro Socialista de Santos deu início às celebrações do 1º de maio no Brasil, e em 1924 o presidente Arthur Bernardes implantou um decreto lei tornando a data feriado nacional. Com esse exercício, nos deparemos com uma série de conquistas dos trabalhadores, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a promulgação da Constituição Federal, que garantem, entre outros, a organização sindical e o direito à greve. No entanto, temos que ter a consciência de que, hoje, essas garantias estão ameaçadas pela aprovação da PEC 369, que institui a reforma sindical.

Temos que saber que, em pleno século XXI, tendo como presidente um ex-sindicalista, 16,7% dos trabalhadores, só de São Paulo, sobrevivem com até um salário mínimo por mês, e que no Brasil ainda existe a exploração do trabalho infantil e a prática da escravidão.

Assim, fica fácil compreender que o momento não é para festejarmos, mas sim lutarmos pela modificação deste contexto, em defesa da redução da jornada de trabalho, sem diminuição de salário; das políticas públicas; da interrupção da política econômica do ministro Palocci; contra a PEC 369, as contratações irregulares e o aumento do mercado de trabalho informal; e todas as medidas que impedem a valorização dos trabalhadores e o desenvolvimento do Brasil.

Teremos motivos para comemorar no tempo em que essas reivindicações forem atendidas, que houver criação de empregos, justa distribuição de renda, e que os trabalhadores forem reconhecidos como os principais agentes das realizações e transformações desse país.  

 
 
 
 
 
 

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