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Nº 474 - 23/06/2005

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Opinião do Diretor:

Conquista com certeza!

César Amaral*

Os trabalhadores nunca sofreram tantos ataques aos seus direitos e conquistas, como após a implantação do neoliberalismo (com a eleição de Collor). Além de criar monopólios e descontrolar o sistema financeiro, este modelo promoveu o desmonte do parque industrial brasileiro e o comprometimento dos setores produtivos, tornando o governo incapaz de investir nas áreas social e de infra-estrutura; de intervir no mercado e regular seu funcionamento em defesa da sociedade e da economia.

Toda esta ganância não pouparia os trabalhadores, que foram as grandes vítimas deste desmonte, com a perda do emprego numa ponta, e na outra, a retirada de direitos, conquistas e o achatamento dos salários daqueles que sobreviveram no mercado de trabalho formal.

Neste cenário sombrio, os metroviários também tiveram grandes dificuldades, mas com certeza, nosso saldo é positivo. Na Campanha Salarial de 2000, abrimos mão do reajuste de 7,38% para não perdermos nosso acordo coletivo que fora cassado no TST. Lutamos contra o ataque da empresa para acabar com a periculosidade, o anuênio para os metroviários que entrassem no Metrô a partir de Maio de 2001, com a escala base 4x2x4, enfrentamos demissões dos aposentados e a tentativa de tirar adicional risco de vida no TST, conquistado em 2003 no TRT-SP.

Porém, mesmo com esta onda de perdas de direitos, neste ano conseguimos a carta compromisso do Metrô, que avança ao reconhecer o adicional de periculosidade para todos, inclusive para os companheiros da linha 5, se comprometendo a acabar com o pagamento por apontamento. Em relação à escala 4x2x4, obtivemos o reconhecimento de um contingente mínimo nos OTs, reafirmando a jornada de 36h, o concurso de OTs para as linha 1, 2 e 3, com periculosidade e 36h, e o que foi a maior conquista desta campanha: a inclusão no acordo coletivo, do Adicional Risco de Vida para SSEs, ASs e AEs que trabalham em bilheteria. Há pouco tempo, o Metrô sequer aceitava conversar sobre este item. Pretendia retirá-lo na justiça, recorrendo a Brasília contra decisão de 8x0, que conquistamos em 5/5/05.

Talvez esta importante conquista não seja percebida, pois os metroviários envolvidos já vinham recebendo. Mas temos que considerar que havia uma espada sobre nossas cabeças. Sabemos como age o Metrô. Deixar de pagar e empurrar o conflito para a justiça é, no mínimo, de se esperar. Não conquistamos o pagamento para todos que o merecem, mas com certeza lutaremos pela sua ampliação, principalmente agora que faz parte do nosso acordo coletivo. Só depende de nós. Por este motivo, considero esta campanha vitoriosa, sem, porém, achar que atingimos o limite desta luta.

* Diretor de Base, ART/LLO

 
 
 
 
 
 

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