Opinião do Diretor:
Conquista com certeza!
César Amaral*
Os
trabalhadores nunca sofreram tantos ataques aos seus direitos e
conquistas, como após a implantação do neoliberalismo (com a eleição
de Collor). Além de criar monopólios e descontrolar o sistema
financeiro, este modelo promoveu o desmonte do parque industrial
brasileiro e o comprometimento dos setores produtivos, tornando o
governo incapaz de investir nas áreas social e de infra-estrutura; de
intervir no mercado e regular seu funcionamento em defesa da sociedade
e da economia.
Toda esta ganância
não pouparia os trabalhadores, que foram as grandes vítimas deste
desmonte, com a perda do emprego numa ponta, e na outra, a retirada de
direitos, conquistas e o achatamento dos salários daqueles que
sobreviveram no mercado de trabalho formal.
Neste cenário
sombrio, os metroviários também tiveram grandes dificuldades, mas com
certeza, nosso saldo é positivo. Na Campanha Salarial de 2000, abrimos
mão do reajuste de 7,38% para não perdermos nosso acordo coletivo que
fora cassado no TST. Lutamos contra o ataque da empresa para acabar
com a periculosidade, o anuênio para os metroviários que entrassem no
Metrô a partir de Maio de 2001, com a escala base 4x2x4, enfrentamos
demissões dos aposentados e a tentativa de tirar adicional risco de
vida no TST, conquistado em 2003 no TRT-SP.
Porém, mesmo com
esta onda de perdas de direitos, neste ano conseguimos a carta
compromisso do Metrô, que avança ao reconhecer o adicional de
periculosidade para todos, inclusive para os companheiros da linha 5,
se comprometendo a acabar com o pagamento por apontamento. Em relação
à escala 4x2x4, obtivemos o reconhecimento de um contingente mínimo
nos OTs, reafirmando a jornada de 36h, o concurso de OTs para as linha
1, 2 e 3, com periculosidade e 36h, e o que foi a maior conquista
desta campanha: a inclusão no acordo coletivo, do Adicional Risco de
Vida para SSEs, ASs e AEs que trabalham em bilheteria. Há pouco tempo,
o Metrô sequer aceitava conversar sobre este item. Pretendia retirá-lo
na justiça, recorrendo a Brasília contra decisão de 8x0, que
conquistamos em 5/5/05.
Talvez esta
importante conquista não seja percebida, pois os metroviários
envolvidos já vinham recebendo. Mas temos que considerar que havia uma
espada sobre nossas cabeças. Sabemos como age o Metrô. Deixar de pagar
e empurrar o conflito para a justiça é, no mínimo, de se esperar. Não
conquistamos o pagamento para todos que o merecem, mas com certeza
lutaremos pela sua ampliação, principalmente agora que faz parte do
nosso acordo coletivo. Só depende de nós. Por este motivo, considero
esta campanha vitoriosa, sem, porém, achar que atingimos o limite
desta luta.
* Diretor de
Base, ART/LLO