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Nº 474 - 23/06/2005

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Dificuldades dos trabalhadores no governo Alkmin
 

A insatisfação dos trabalhadores e sindicatos com o governo Alckmin é geral. Sua postura arbitrária e desrespeitosa, somada ao constante descaso com o funcionalismo público e sindicatos que os representam são os principais fatores que impedem o sucesso das tentativas de elevar a qualidade de vida dos servidores e, conseqüentemente, da prestação de serviços públicos. Plataforma entrevistou os presidentes de alguns sindicatos de trabalhadores do funcionalismo público e na entrevista que segue você saberá o que eles pensam sobre o processo de negociação com o governo, quais são suas principais dificuldades e perspectivas de resultados ao final de suas campanhas salariais.

Sindsaúde (Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo) Célia Regina Costa

O governo nos trata com desrespeito. Não constitui processo de negociação, se recusando a estabelecer Mesa de Negociação Central. Há falta de vontade política para negociar com os servidores. Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo deve gastar 49% do orçamento com a folha de pagamento dos servidores da saúde, mas Alckmin baixou a folha para 42,78%. É a menor folha da história! Com este governo nossas perspectivas são baixas, mas para conseguirmos reposição salarial de 25% e incorporação das gratificações, continuaremos mobilizados, realizando algumas paralizações. Não descartamos a possibilidade de fazermos uma greve no 2º semestre. O governo só percebe nossa mobilização quando há algo que o incomode.”

Sitraemfa (Sindicato dos Trabalhadores e Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo) Maria Gusmão Pereira.

“O processo de negociação com o governo Alckmin é muito traumático. Temos nos colocado à disposição para negociar, mas em nenhum momento temos tido abertura. O TRT tem colaborado conosco, mas mesmo com esta interferência não obtemos retorno. Parece que o governo acha que está acima da justiça, que é o dono da verdade.

Vamos até as últimas instâncias, com a mobilização e união da categoria, em assembléia permanente, buscando apoio de outras categorias, entidades e da CUT.

O governo Alckmin não tem proposta para minimizar o problema da Febem. Quem está vendo o novo modelo? Só vemos rebeliões. Falta política e apoio. Os torturadores ali não são os trabalhadores, mas sim o governo.”

Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo) Helifax Pinto de Souza

“O processo de negociação com o governo é muito difícil, por causa de sua política de arrocho e baixa dos custos de produção, também seguida pela direção da empresa, que fica praticamente desautorizada a tomar iniciativas contrárias às orientações que vêm de cima: corte, não conceda, reduza conquistas e não amplie nada. É como um instrumento de operacionalização da política do governo. Durante a campanha dos trabalhadores da Sabesp fizemos assembléias, paralisações pipoca, e como as negociações não avançavam e a categoria tem o seu limite, fizemos uma greve de três dias. Só assim conquistamos alguns direitos.”

 

“Durante todos estes anos do governo Alckmin não houve negociação. Ele sempre diz que não tem recursos, se aproveita do fato de não termos data base, e só se lembra de nós quando saímos às ruas. Sua política salarial é baseada na concessão de gratificações e bônus, mas nós não concordamos com isto. Queremos uma política baseada no reajuste salarial. Alckmin não tem prioridades com relação ao funcionalismo público, às condições de trabalho e à prestação dos serviços públicos. Ficou de anunciar um reajuste no último dia 15/6, mas não anunciou. Então vamos intensificar nossa mobilização. Pretendemos unificar nossa luta com outras entidades e até fazer uma paralisação geral, para pressionar o governo, que só fala uma língua: a da mobilização.”

Sincohab (Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas e Cooperativas Habitacionais e Desenvolvimento Hurbano no Estado de São Paulo) - Manoel do Nascimento

“A Diretoria do Sincohab avalia que a interferência do CODEC (Conselho de Política Salarial), órgão ligado ao Governo do Estado de São Paulo, desde que fora criado, impôs maior rigidez ao diálogo, sobretudo quanto ao avanço da política salarial da empresa, delimitando o alcance da liberdade de negociação dos administradores da CDHU com a representação dos trabalhadores, e buscou o incremento de uma política de redução de benefícios e direitos.

A Diretoria do Sincohab, apesar de considerar positiva a reposição salarial, acredita que não houve avanços quanto a Participação nos Resultados, ao Plano de Cargos e Salários e a recuperação do poder de compra dos salários através da reposição de perdas acumuladas em anos anteriores, em decorrência das limitações impostas pelo CODEC.”

Sindicato dos Metroviários de São Paulo – Flávio Godoi

“Negociar com o governo Alckmin é um grande desafio. A todo tempo ele afronta os trabalhadores, tentando retirar direitos, impedir conquistas, e até dividir a categoria, para enfraquecer nossa mobilização. Seus esforços estão sempre concentrados na redução de custos, sem contar com a falta de interesse em gerenciar os serviços públicos. Terceirizar e privatizar são algumas de suas principais ambições. Mas a nossa luta, sempre com unidade, mobilizada e organizada, conseguiu barrar estas intenções do governo e, na maioria das vezes, consegue fazer prevalecer os interesses dos trabalhadores. E é só assim que conseguimos ser ouvidos. Fazendo paralisações, setoriais, cafés com usuários, passeatas... Se nos mantivermos calados e alheios aos seus desmandos, o terreno ficará livre para ele continuar desrespeitando os trabalhadores, dando mais profundidade para a implantação de sua política neoliberal.”

 

 
 
 
 
 
 

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