Dificuldades dos trabalhadores no
governo Alkmin
A
insatisfação dos trabalhadores e sindicatos com o governo Alckmin é
geral. Sua postura arbitrária e desrespeitosa, somada ao constante
descaso com o funcionalismo público e sindicatos que os representam
são os principais fatores que impedem o sucesso das tentativas de
elevar a qualidade de vida dos servidores e, conseqüentemente, da
prestação de serviços públicos. Plataforma entrevistou os presidentes
de alguns sindicatos de trabalhadores do funcionalismo público e na
entrevista que segue você saberá o que eles pensam sobre o processo de
negociação com o governo, quais são suas principais dificuldades e
perspectivas de resultados ao final de suas campanhas salariais.
Sindsaúde
(Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo)
Célia Regina Costa
O governo nos
trata com desrespeito. Não constitui processo de negociação, se
recusando a estabelecer Mesa de Negociação Central. Há falta de
vontade política para negociar com os servidores. Segundo a Lei de
Responsabilidade Fiscal, o governo deve gastar 49% do orçamento com a
folha de pagamento dos servidores da saúde, mas Alckmin baixou a folha
para 42,78%. É a menor folha da história! Com este governo nossas
perspectivas são baixas, mas para conseguirmos reposição salarial de
25% e incorporação das gratificações, continuaremos mobilizados,
realizando algumas paralizações. Não descartamos a possibilidade de
fazermos uma greve no 2º semestre. O governo só percebe nossa
mobilização quando há algo que o incomode.”
Sitraemfa
(Sindicato dos Trabalhadores e Entidades de Assistência ao Menor e à
Família do Estado de São Paulo) Maria Gusmão Pereira.
“O processo de
negociação com o governo Alckmin é muito traumático. Temos nos
colocado à disposição para negociar, mas em nenhum momento temos tido
abertura. O TRT tem colaborado conosco, mas mesmo com esta
interferência não obtemos retorno. Parece que o governo acha que está
acima da justiça, que é o dono da verdade.
Vamos até as
últimas instâncias, com a mobilização e união da categoria, em
assembléia permanente, buscando apoio de outras categorias, entidades
e da CUT.
O
governo Alckmin não tem proposta para minimizar o problema da Febem.
Quem está vendo o novo modelo? Só vemos rebeliões. Falta política e
apoio. Os torturadores ali não são os trabalhadores, mas sim o
governo.”
Sintaema
(Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São
Paulo) Helifax Pinto de Souza
“O processo de
negociação com o governo é muito difícil, por causa de sua política de
arrocho e baixa dos custos de produção, também seguida pela direção da
empresa, que fica praticamente desautorizada a tomar iniciativas
contrárias às orientações que vêm de cima: corte, não conceda, reduza
conquistas e não amplie nada. É como um instrumento de
operacionalização da política do governo. Durante a campanha dos
trabalhadores da Sabesp fizemos assembléias, paralisações pipoca, e
como as negociações não avançavam e a categoria tem o seu limite,
fizemos uma greve de três dias. Só assim conquistamos alguns
direitos.”
“Durante
todos estes anos do governo Alckmin não houve negociação. Ele sempre
diz que não tem recursos, se aproveita do fato de não termos data
base, e só se lembra de nós quando saímos às ruas. Sua política
salarial é baseada na concessão de gratificações e bônus, mas nós não
concordamos com isto. Queremos uma política baseada no reajuste
salarial. Alckmin não tem prioridades com relação ao funcionalismo
público, às condições de trabalho e à prestação dos serviços públicos.
Ficou de anunciar um reajuste no último dia 15/6, mas não anunciou.
Então vamos intensificar nossa mobilização. Pretendemos unificar nossa
luta com outras entidades e até fazer uma paralisação geral, para
pressionar o governo, que só fala uma língua: a da mobilização.”
Sincohab
(Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas e Cooperativas Habitacionais
e Desenvolvimento Hurbano no Estado de São Paulo) - Manoel do
Nascimento
“A Diretoria do
Sincohab avalia que a interferência do CODEC (Conselho de Política
Salarial), órgão ligado ao Governo do Estado de São Paulo, desde que
fora criado, impôs maior rigidez ao diálogo, sobretudo quanto ao
avanço da política salarial da empresa, delimitando o alcance da
liberdade de negociação dos administradores da CDHU com a
representação dos trabalhadores, e buscou o incremento de uma política
de redução de benefícios e direitos.
A Diretoria do
Sincohab, apesar de considerar positiva a reposição salarial, acredita
que não houve avanços quanto a Participação nos Resultados, ao Plano
de Cargos e Salários e a recuperação do poder de compra dos salários
através da reposição de perdas acumuladas em anos anteriores, em
decorrência das limitações impostas pelo CODEC.”
Sindicato
dos Metroviários de São Paulo – Flávio Godoi
“Negociar com o
governo Alckmin é um grande desafio. A todo tempo ele afronta os
trabalhadores, tentando retirar direitos, impedir conquistas, e até
dividir a categoria, para enfraquecer nossa mobilização. Seus esforços
estão sempre concentrados na redução de custos, sem contar com a falta
de interesse em gerenciar os serviços públicos. Terceirizar e
privatizar são algumas de suas principais ambições. Mas a nossa luta,
sempre com unidade, mobilizada e organizada, conseguiu barrar estas
intenções do governo e, na maioria das vezes, consegue fazer
prevalecer os interesses dos trabalhadores. E é só assim que
conseguimos ser ouvidos. Fazendo paralisações, setoriais, cafés com
usuários, passeatas... Se nos mantivermos calados e alheios aos seus
desmandos, o terreno ficará livre para ele continuar desrespeitando os
trabalhadores, dando mais profundidade para a implantação de sua
política neoliberal.”