Opinião do Diretor:
Podres Poderes
Paulo Pasin*
São
tantas as provas de corrupção no governo e no Congresso que a tese
fantasiosa de complô das elites contra Lula está perdendo força
rapidamente. Para honestos militantes socialistas que não se dobraram
às facilidades do poder, o sentimento é de perplexidade e indignação.
A burguesia regozija-se e aproveita o momento desfavorável da classe
trabalhadora para enxovalhar a todos os que lutam pela transformação
social.
A adesão do
governo aos métodos espúrios da política tradicional tem sua origem na
decisão de gerir a crise do falido modelo econômico herdado de FHC. As
práticas alicerçadas na compra de voto são o outro lado da moeda da
adesão incondicional ao neoliberalismo. Ao conteúdo conservador e
reacionário das políticas adotadas pelo governo Lula, corresponde a
forma mercantilizada e corrupta de construção de sua base parlamentar
de sustentação, composta pelo PTB de Roberto Jefferson, PP de Paulo
Maluf e Severino Cavalcanti, PL do bispo Rodrigues, PMDB de Sarney e
Jader Barbalho, etc.
A cada milhão de
reais desviados dos cofres públicos há uma contrapartida de bilhões e
bilhões de reais transferidos pela política econômica para os
banqueiros, grandes empresários e latifundiários. Os “delinqüentes de
luxo” continuam transitando nos gabinetes de Brasília com a maior
desenvoltura. As malas de dinheiro que alimentam o mensalão e
financiam as vergonhosas campanhas eleitorais são a contraparte da
estabilidade de um modelo econômico baseado na dívida externa, no
superávit fiscal, nos grandes negócios com fundo de pensão, nas
contra-reformas sem fim que retiram direitos dos trabalhadores e em
todas as políticas que priorizam de maneira absoluta os interesses da
plutocracia.
Milhares de
companheiros (as) de esquerda não desistiram de lutar contra a
exploração capitalista. É hora de encarar a realidade. Tirar lições da
crise para, em nome do que ainda resta do gigantesco patrimônio
político e moral construído por tantos anos de dedicação, construir
novas formas de organização política e sindical que dêem voz às bases
e não às cúpulas. Única forma de darmos continuidade à luta por uma
sociedade livre e socialista.
*Vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo