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Nº 476 - 10/08/2005

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Opinião do Diretor:

Podres Poderes

Paulo Pasin*

São tantas as provas de corrupção no governo e no Congresso que a tese fantasiosa de complô das elites contra Lula está perdendo força rapidamente. Para honestos militantes socialistas que não se dobraram às facilidades do poder, o sentimento é de perplexidade e indignação. A burguesia regozija-se e aproveita o momento desfavorável da classe trabalhadora para enxovalhar a todos os que lutam pela transformação social.

A adesão do governo aos métodos espúrios da política tradicional tem sua origem na decisão de gerir a crise do falido modelo econômico herdado de FHC. As práticas alicerçadas na compra de voto são o outro lado da moeda da adesão incondicional ao neoliberalismo. Ao conteúdo conservador e reacionário das políticas adotadas pelo governo Lula, corresponde a forma mercantilizada e corrupta de construção de sua base parlamentar de sustentação, composta pelo PTB de Roberto Jefferson, PP de Paulo Maluf e Severino Cavalcanti, PL do bispo Rodrigues, PMDB de Sarney e Jader Barbalho, etc.

A cada milhão de reais desviados dos cofres públicos há uma contrapartida de bilhões e bilhões de reais transferidos pela política econômica para os banqueiros, grandes empresários e latifundiários. Os “delinqüentes de luxo” continuam transitando nos gabinetes de Brasília com a maior desenvoltura. As malas de dinheiro que alimentam o mensalão e financiam as vergonhosas campanhas eleitorais são a contraparte da estabilidade de um modelo econômico baseado na dívida externa, no superávit fiscal, nos grandes negócios com fundo de pensão, nas contra-reformas sem fim que retiram direitos dos trabalhadores e em todas as políticas que priorizam de maneira absoluta os interesses da plutocracia.

Milhares de companheiros (as) de esquerda não desistiram de lutar contra a exploração capitalista. É hora de encarar a realidade. Tirar lições da crise para, em nome do que ainda resta do gigantesco patrimônio político e moral construído por tantos anos de dedicação, construir novas formas de organização política e sindical que dêem voz às bases e não às cúpulas. Única forma de darmos continuidade à luta por uma sociedade livre e socialista.

*Vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo

 
 
 
 
 
 

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