Cesta Básica X VR
Quem ganha é o
Metrô
Recentemente
o Metrô fez uma pesquisa nas áreas para saber se o metroviário está
satisfeito com o fornecimento da Cesta Básica ou se preferem receber
um Vale Alimentação (VA). Segundo o resultado apresentado pela
empresa, 60% dos metroviários optaram pelo VA e, com isto, o Metrô
iniciou a distribuição de um termo para que os funcionários optem pelo
recebimento desta nova modalidade no valor de R$65,38, a partir de
2006.
Ocorre que em
momento algum a empresa chamou o Sindicato para negociar, embora tenha
conhecimento de que o direito às cestas básicas é assegurado aos
metroviários em acordo coletivo, e para que haja esta mudança é
fundamental que sejam feitas negociações com a entidade. Do início da
campanha salarial pra cá foram muitas as oportunidades para tanto, mas
o Metrô as ignorou, preferindo agir às escondidas.
Portanto, ao tomar
conhecimento de mais esta ofensiva, o Sindicato interveio cobrando
abertura de negociações e a suspensão da distribuição dos termos de
opção nas áreas, o que, no final do conflito, foi aceito pela empresa.
As partes assinaram uma carta protocolo de compromisso que determina a
realização de negociações até 30 de setembro (a íntegra da carta será
divulgada no sítio do Sindicato: www.metroviarios-sp.org.br).
Prós e Contras
O Sindicato não se
opõe à iniciativa do Metrô, mas não abre mão de defender o direito
histórico da categoria garantido através de sentença judicial.
O Metrô compra as
cestas básicas por atacado e, portanto, cada item que as compõe acaba
saindo mais barato do que em qualquer supermercado. Ao optar pelo VA,
os metroviários não comprarão os mesmos produtos disponíveis nas
cestas básicas, amargando prejuízo. Neste ponto, é importante
ressaltar que na Sabesp este benefício é de R$ 102,55.
Há também a
questão da periodicidade e critérios de reajuste do valor do VA, sem
contar com a rede de estabelecimentos conveniada. Dependendo de seus
preços, os metroviários acabarão tendo perdas maiores ainda. A que se
ressaltar também que a opção que o funcionário fizer terá validade por
dois anos.
Estas são algumas
das razões que fizeram com que o Sindicato interferisse na ação do
Metrô, buscando uma negociação segura e que não cause prejuízos aos
metroviários. Outrossim, trata-se principalmente de combater a manobra
ardil do governo do estado e da diretoria do Metrô de tentar
substituir o Sindicato nas suas negociações com a categoria, num claro
objetivo de esfacelar nossa organização.
Aqui, vale lembrar
que temos alguns antecedentes de atitudes parecidas, como a divulgação
de uma proposta de PR inferior às expectativas da categoria, a
negociação de empréstimos com desconto em folha de pagamento com
instituições financeiras sem a participação do Sindicato e a mudança
de escala de trabalho diretamente com o empregado.
É preciso que os
metroviários fiquem atentos a estas investidas do Metrô, e se neguem a
negociar qualquer um de seus direitos diretamente com a empresa, ou
participar de pesquisas, teste de jornada de trabalho, implantação de
métodos de gestão ou coisa que o valha sem consultar o Sindicato. Por
trás de cada pretensa boa ação do Metrô, esconde-se uma tentativa de
ataque ao que é mais valoroso para nós: nossa organização.