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Nº 477 - 25/08/2005

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Cesta Básica X VR

Quem ganha é o Metrô

Recentemente o Metrô fez uma pesquisa nas áreas para saber se o metroviário está satisfeito com o fornecimento da Cesta Básica ou se preferem receber um Vale Alimentação (VA). Segundo o resultado apresentado pela empresa, 60% dos metroviários optaram pelo VA e, com isto, o Metrô iniciou a distribuição de um termo para que os funcionários optem pelo recebimento desta nova modalidade no valor de R$65,38, a partir de 2006.

Ocorre que em momento algum a empresa chamou o Sindicato para negociar, embora tenha conhecimento de que o direito às cestas básicas é assegurado aos metroviários em acordo coletivo, e para que haja esta mudança é fundamental que sejam feitas negociações com a entidade. Do início da campanha salarial pra cá foram muitas as oportunidades para tanto, mas o Metrô as ignorou, preferindo agir às escondidas.

Portanto, ao tomar conhecimento de mais esta ofensiva, o Sindicato interveio cobrando abertura de negociações e a suspensão da distribuição dos termos de opção nas áreas, o que, no final do conflito, foi aceito pela empresa. As partes assinaram uma carta protocolo de compromisso que determina a realização de negociações até 30 de setembro (a íntegra da carta será divulgada no sítio do Sindicato: www.metroviarios-sp.org.br).

Prós e Contras

O Sindicato não se opõe à iniciativa do Metrô, mas não abre mão de defender o direito histórico da categoria garantido através de sentença judicial.

O Metrô compra as cestas básicas por atacado e, portanto, cada item que as compõe acaba saindo mais barato do que em qualquer supermercado. Ao optar pelo VA, os metroviários não comprarão os mesmos produtos disponíveis nas cestas básicas, amargando prejuízo. Neste ponto, é importante ressaltar que na Sabesp este benefício é de R$ 102,55.

Há também a questão da periodicidade e critérios de reajuste do valor do VA, sem contar com a rede de estabelecimentos conveniada. Dependendo de seus preços, os metroviários acabarão tendo perdas maiores ainda. A que se ressaltar também que a opção que o funcionário fizer terá validade por dois anos.

Estas são algumas das razões que fizeram com que o Sindicato interferisse na ação do Metrô, buscando uma negociação segura e que não cause prejuízos aos metroviários. Outrossim, trata-se principalmente de combater a manobra ardil do governo do estado e da diretoria do Metrô de tentar substituir o Sindicato nas suas negociações com a categoria, num claro objetivo de esfacelar nossa organização.

Aqui, vale lembrar que temos alguns antecedentes de atitudes parecidas, como a divulgação de uma proposta de PR inferior às expectativas da categoria, a negociação de empréstimos com desconto em folha de pagamento com instituições financeiras sem a participação do Sindicato e a mudança de escala de trabalho diretamente com o empregado.

É preciso que os metroviários fiquem atentos a estas investidas do Metrô, e se neguem a negociar qualquer um de seus direitos diretamente com a empresa, ou participar de pesquisas, teste de jornada de trabalho, implantação de métodos de gestão ou coisa que o valha sem consultar o Sindicato. Por trás de cada pretensa boa ação do Metrô, esconde-se uma tentativa de ataque ao que é mais valoroso para nós: nossa organização.

 

 
 
 
 
 
 

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