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Nº 479 - 07/10/2005

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Espaço Aberto

Estado burguês, governo de exceção

A trajetória histórica do nosso país sempre foi marcada por governos burgueses, que privilegiam as elites dominantes, em detrimento do bem estar geral.

Em pleno século XXI, nos deparamos com práticas que em nada se diferem dos métodos utilizados outrora, quando o preconceito, a segregação social e o apartheid pautavam as ações governamentais. Recentemente fomos surpreendidos com a medida tomada pelo prefeito José Serra, que mandou criar rampas embaixo dos viadutos do complexo viário Dr. Arnaldo, para impedir que moradores de rua possam se abrigar durante a noite e em dias de chuva. Sem muito estardalhaço, determinou a expulsão dos trabalhadores das cooperativas de reciclagens, localizadas em baixo de viadutos, cedidas por administrações anteriores, onde catadores de material reciclados retiram seus sustentos e de suas famílias, com o objetivo de beneficiar empresas interessadas neste nicho de mercado altamente lucrativo. Também sem uma reação mais contestadora da sociedade, o ex-ministro da dengue está entregando os postos básicos de Saúde e os hospitais municipais a entidades conhecidas como ONG’s, que receberão verbas públicas para administrá-las e, como agravante, estas entidades são ligadas a secretários do governo municipal. Este filme com o título de “PAS” e um roteiro recheado de corrupção, irregularidade trabalhista, fiscal e de legislação, com precarização no atendimento, impondo ao cidadão humilhação e desassistência, nós já assistimos e testemunhamos o prejuízo que causou a todos.

No governo estadual não é diferente. Sua última tentativa foi de acabar com o ensino público, impondo a contratação semestral de professores, os limitando a uma recontratação e obrigando o professor a ficar no mínimo dois anos fora da rede pública estadual, para poder concorrer novamente ao cargo. Esta medida causaria a demissão imediata de mais de 120 mil professores, a deterioração da educação, com a interrupção semestral do vínculo do professor com a unidade escolar, a precarização das condições de trabalho com o fim das férias, décimo terceiro salários e garantias previdenciárias e, como conseqüência, o emburrecimento institucional dos nossos filhos. Graças à mobilização de mais de 30 mil professores, o governo Alckmin sofreu mais uma derrota, sendo obrigado a retirar o projeto encaminhado à ALESP. É por isto que esta burguesia oligárquica quer, a qualquer custo, retornar ao governo central, desmoralizando toda a esquerda brasileira. Para que possam, com a menor resistência possível, implantar seu modelo discriminatório e excludente, criando mecanismos que dificultem a reorganização dos partidos comprometidos com as lutas gerais do povo brasileiro, a exemplo da reforma eleitoral e a clausula de barreira de 5%. Mas este já é outro debate.

Onofre Gonçalves de Jesus, diretor da Fenametro

 
 
 
 
 
 

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