Editorial
Paz com medo
A experiência
vivida pelos brasileiros no último domingo, 23/10, representou um
grande avanço para a democracia do país. Pela primeira vez, os
cidadãos tiveram a oportunidade de ir às urnas para aprovar uma lei
preexistente, decidindo se o comércio de armas de fogo e munição
deveria ser proibido no Brasil.
A vitória do “não”
demonstrou que a maioria da população se sente insegura para viver
desarmada, ainda que esta prática represente risco de morte e
ferimento de inocentes. O resultado deste referendo representa um
alerta para o governo federal e, mais ainda para os governos estaduais
e municipais, que são os principais responsáveis pela segurança
pública.
Mas não um alerta
de que é preciso tirar a vida de todos os criminosos, ou simplesmente
largá-los em cadeiões superlotados. A manifestação da maioria dos
brasileiros aponta para a necessidade de serem pensadas e implantadas
políticas públicas humanitárias de educação e socialização daqueles
que são presos.
Igualmente, o
poder judiciário precisa se adequar para dar respostas mais rápidas na
aplicação das leis, principalmente, fazendo cumprir as penas que são
impostas. Talvez assim alguns desistam de fazer justiça com as
próprias mãos!
Contudo, a questão
da justiça não se limita ao poder judiciário, avançando também ao
poder executivo – mais precisamente o ministério da Fazenda.
Continuamos convictos da necessidade de abandonarmos a atual e
ortodoxa política econômica herdada do governo FHC, que só aprofunda a
miséria, o desemprego, o trabalho escravo, o sucateamento da educação,
saúde, transporte, saneamento, entre outras áreas, e nada contribui
para a redução da violência e contenção da criminalidade.
Estas são algumas
das queixas que motivaram as pessoas a dizer não ao desarmamento. Mas,
independente disso devemos continuar nossa mobilização para pressionar
as autoridades a cumprir seus deveres e, com isso, construirmos um
Brasil com paz. E o mais importante, sem medo.