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Nº 480 - 26/10/2005


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Editorial

Paz com medo

A experiência vivida pelos brasileiros no último domingo, 23/10, representou um grande avanço para a democracia do país. Pela primeira vez, os cidadãos tiveram a oportunidade de ir às urnas para aprovar uma lei preexistente, decidindo se o comércio de armas de fogo e munição deveria ser proibido no Brasil.

A vitória do “não” demonstrou que a maioria da população se sente insegura para viver desarmada, ainda que esta prática represente risco de morte e ferimento de inocentes. O resultado deste referendo representa um alerta para o governo federal e, mais ainda para os governos estaduais e municipais, que são os principais responsáveis pela segurança pública.

Mas não um alerta de que é preciso tirar a vida de todos os criminosos, ou simplesmente largá-los em cadeiões superlotados. A manifestação da maioria dos brasileiros aponta para a necessidade de serem pensadas e implantadas políticas públicas humanitárias de educação e socialização daqueles que são presos.

Igualmente, o poder judiciário precisa se adequar para dar respostas mais rápidas na aplicação das leis, principalmente, fazendo cumprir as penas que são impostas. Talvez assim alguns desistam de fazer justiça com as próprias mãos!

Contudo, a questão da justiça não se limita ao poder judiciário, avançando também ao poder executivo – mais precisamente o ministério da Fazenda. Continuamos convictos da necessidade de abandonarmos a atual e ortodoxa política econômica herdada do governo FHC, que só aprofunda a miséria, o desemprego, o trabalho escravo, o sucateamento da educação, saúde, transporte, saneamento, entre outras áreas, e nada contribui para a redução da violência e contenção da criminalidade.

Estas são algumas das queixas que motivaram as pessoas a dizer não ao desarmamento. Mas, independente disso devemos continuar nossa mobilização para pressionar as autoridades a cumprir seus deveres e, com isso, construirmos um Brasil com paz. E o mais importante, sem medo.

 
 
 
 
 
 

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