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Nº 480 - 26/10/2005


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Opinião do Diretorl

E o povo disse não

Paulo Pasim*

Nem mesmo a grande frente que se formou pelo “sim”, composta pelo presidente Lula, governador Geraldo Alckmim, prefeito José Serra, quase todas as lideranças partidárias no Congresso, Rede Globo, CUT , UNE, MST, OAB, sindicato de trabalhadores e empresários, conseguiu impedir a vitória arrasadora do NÃO no referendo sobre a comercialização de armas de fogo. O feitiço virou contra o feiticeiro.

A população se deu conta de que o referendo era uma manobra para desviar as atenções sobre quem são os verdadeiros responsáveis pela situação de violência no Brasil. Sabia que vencendo o sim ou o não, as armas continuariam sendo fabricadas e comercializadas, o crime organizado não seria desarticulado e a violência policial não diminuiria, sobretudo contra os trabalhadores, a juventude e os pobres. Por isso protestou. Votou NÃO.

O processo de debate sobre o assunto ficou limitado a uma maniqueísta e midiática campanha de propaganda na televisão, restrita e aparelhada por atores e atrizes da rede Globo, despolitizada e desideologizada, centrada na mistificação, na exploração dos sentimentos das pessoas vítimas de violência, criando-se um ambiente de manipulação política em que se passava a idéia de que, no resultado do plebiscito, estaria em jogo a solução dos graves problemas nacionais. 

Lamentamos o fato de que a maioria da diretoria do nosso Sindicato tenha apoiado a frente do “sim” , sem destacar que a violência que hoje atinge a sociedade brasileira é fruto do modelo econômico bárbaro que leva à miséria milhões de brasileiros, que provoca a concentração de renda, o desemprego e que transfere cotidianamente recursos públicos para os especuladores nacionais e internacionais e aprofunda a dependência do País.  Modelo que Lula herdou de FHC, mas que aprofundou nestes 3 anos de governo.

O governo LULA não consultou o povo, através de plebiscitos ou referendos, quando tomou medidas muito mais sérias. Como a reforma da previdência, a flexibilização do monopólio do petróleo, a nova lei de falência, as parcerias público-privado, a política econômica, etc.

Na nossa opinião, o movimento social que não é chapa branca poderia lutar por um plebiscito sobre as dívidas externa e interna, estes sim os verdadeiros problemas que afetam muito mais a população brasileira do que o falso dilema do desarmamento.

*Vice-Presidente

 
 
 
 
 
 

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