Opinião do Diretorl
E o povo disse não
Paulo Pasim*
Nem
mesmo a grande frente que se formou pelo “sim”, composta pelo
presidente Lula, governador Geraldo Alckmim, prefeito José Serra,
quase todas as lideranças partidárias no Congresso, Rede Globo, CUT ,
UNE, MST, OAB, sindicato de trabalhadores e empresários, conseguiu
impedir a vitória arrasadora do NÃO no referendo sobre a
comercialização de armas de fogo. O feitiço virou contra o feiticeiro.
A população se deu
conta de que o referendo era uma manobra para desviar as atenções
sobre quem são os verdadeiros responsáveis pela situação de violência
no Brasil. Sabia que vencendo o sim ou o não, as armas continuariam
sendo fabricadas e comercializadas, o crime organizado não seria
desarticulado e a violência policial não diminuiria, sobretudo contra
os trabalhadores, a juventude e os pobres. Por isso protestou. Votou
NÃO.
O processo de
debate sobre o assunto ficou limitado a uma maniqueísta e midiática
campanha de propaganda na televisão, restrita e aparelhada por atores
e atrizes da rede Globo, despolitizada e desideologizada, centrada na
mistificação, na exploração dos sentimentos das pessoas vítimas de
violência, criando-se um ambiente de manipulação política em que se
passava a idéia de que, no resultado do plebiscito, estaria em jogo a
solução dos graves problemas nacionais.
Lamentamos o fato
de que a maioria da diretoria do nosso Sindicato tenha apoiado a
frente do “sim” , sem destacar que a violência que hoje atinge a
sociedade brasileira é fruto do modelo econômico bárbaro que leva à
miséria milhões de brasileiros, que provoca a concentração de renda, o
desemprego e que transfere cotidianamente recursos públicos para os
especuladores nacionais e internacionais e aprofunda a dependência do
País. Modelo que Lula herdou de FHC, mas que aprofundou nestes 3
anos de governo.
O governo LULA não
consultou o povo, através de plebiscitos ou referendos, quando tomou
medidas muito mais sérias. Como a reforma da previdência, a
flexibilização do monopólio do petróleo, a nova lei de falência, as
parcerias público-privado, a política econômica, etc.
Na nossa opinião,
o movimento social que não é chapa branca poderia lutar por um
plebiscito sobre as dívidas externa e interna, estes sim os
verdadeiros problemas que afetam muito mais a população brasileira do
que o falso dilema do desarmamento.
*Vice-Presidente