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Nº 480 - 26/10/2005


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O que está por traz da concessão da Linha 4

Aumento do lucro dos empresários e degradação das relações do trabalho, com o desmantelo da organização autônoma (CIPA) e sindical, extinção de direitos e diminuição da qualidade dos serviços prestados à sociedade. Estas são as conseqüências que sofreremos com a privatização da Linha 4 – Amarela. E a proposta feita para a iniciativa privada é tentadora: o estado de São Paulo (isto é: o imposto nosso de cada dia) paga 73% (US$ 922 milhões) de todo o custo da obra, e o “concessionário” fará o grande sacrifício de “investir” 27% (US$ 340 milhões), podendo “explorar” todo o potencial lucrativo do transporte metroviário durante 30 anos.

Para nós, é claro o entendimento de que o transporte público é elemento fundamental para integração sócio-econômica, com geração de emprego e distribuição de renda. Por isso, consideramos que o planejamento de sua rede e fornecimento de subsídios devem ser geridos pelo Estado, para manter a sustentação de sua expansão e das melhorias necessárias ao longo do tempo.

Hoje, os investimentos aplicados no sistema representam um montante significativo, quer na capacitação de sua mão de obra ou nas gratuidades, o que não permite o retorno dos investimentos esperado pela iniciativa privada, que ainda assim será beneficiada, já que a proposta é não permitir que o concessionário saia perdendo. O Metrô e governo estadual irão arcar com o prejuízo da empresa se, em um mês, a arrecadação da bilheteria for menor do que a estimada.

O conflito de interesses será certeiro, pois dois atores tão distintos serão responsáveis pela gestão de um sistema complexo e vital para a sociedade, seja na definição das tarifas como também na política urbana. Esta afirmação pode ser justificada com os argumentos de que o sistema metroviário possui um papel que vai além de sua finalidade de transportar pessoas com eficiência, eficácia e respeito ao meio ambiente. O Metrô cumpre um papel importante como instrumento de política pública na transformação urbana na cidade de São Paulo, e em toda a região metropolitana, e as empresas privadas não têm esta preocupação. Para elas, o que importa é ter retorno do investimento que vão fazer.

Confirmando o impacto positivo da implantação do Metrô no meio urbano, de 1995 a 2004, o balanço social apresentou um resultado acumulado de R$ 35,4 bilhões, sendo que, em 2004, segundo o relatório da própria empresa, descontado o prejuízo contábil de R$ 294,4 milhões, e incluídas as despesas com operação deficitária da Linha 5 – Lilás, o resultado foi de R$ 3.049,8 bilhões. O balanço social positivo a que nos referimos é representado pelos benefícios que a construção e funcionamento do Metrô trouxe para o comércio das regiões e valorização de imóveis, devido à facilidade e comodidade de locomoção para os cidadãos, reurbanização de áreas degradadas, redução de poluição, congestionamentos, entre outros.

Outra intenção do governo Alckmin com a concessão da Linha 4 à iniciativa privada, ou a concretização de uma PPP (Parceria Público-Privado), é obter o desmonte da organização e mobilização dos metroviários, por meio de práticas anti-sindicais, como a restrição à filiação sindical, retirada de direitos, desmantelo das CIPAs (que já é uma pretensão do Metrô) e precarização das condições de trabalho.

Nesses termos, o Sindicato dos Metroviários deixa claro o seu posicionamento contrário à política do governo e da direção do Metrô de realizar tal concessão, por entender que este processo não representa os anseios da sociedade de contar com um transporte público, de qualidade e com tarifa social; nem atende a expectativa dos metroviários, de garantir seus direitos e conquistas.

É por isso, também, que reafirmamos nosso compromisso de lutar em todas as instâncias para reverter este processo, assegurando a prestação do serviço pelo qual somos reconhecidos pelos usuários e a garantia dos mesmos direitos e conquistas que os trabalhadores metroviários possuem hoje, tais como adicionais de periculosidade, risco de vida; jornada de 36 horas; e todos os demais.

A Central Única dos Trabalhadores, a Federação Nacional dos Metroviários e o Sindicato dos Metroviários de São Paulo convocam os sindicatos, as entidades estudantis, o movimento popular, para juntos mobilizarmos os paulistanos contra esta pretensão do governo Geraldo Alckmin de entregar mais este patrimônio tão admirado e respeitado pela população de São Paulo. Sabemos que esta concessão é o primeiro passo para entregar todo o sistema de transporte sobre trilho de São Paulo.

Não à privatização do Metrô! Não à concessão da Linha 4-Amarela!

 
 
 
 
 
 

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