Editorial
Resultados e
perspectiva
Ainda que
estejamos sofrendo pressões de empresários e investidores
internacionais, finalmente a equipe econômica do governo federal tomou
a decisão de reduzir o superávit primário para 4,25% do Produto
Interno Bruto (PIB). Isso quer dizer que o governo poupará menos
dinheiro para pagar juros de dívidas, podendo investir em
infra-estrutura, projetos sociais e nas demais áreas que aceleram o
desenvolvimento do país.
Até novembro, a
manutenção da ortodoxa política econômica do ministro Palocci fez com
que a meta do superávit cumprida no país ficasse na casa dos 5%.
Agora, depois de tanto tempo de arrocho e pressões dos movimentos
sociais, o governo declarou que cumprirá a meta da Lei de Diretrizes
Orçamentárias, neste e no ano que vem.
Tal decisão
possibilitará a superação dos dados divulgados na última semana pela
Fundação Getúlio Vargas e pelo IBGE, de que em 2004 a miséria atingiu
seu nível mais baixo desde 2002, sendo que, só no ano passado caiu
duas vezes mais do que no anterior.
De acordo com a
pesquisa, tais resultados são atribuídos aos avanços sociais obtidos
em 2004, e conquistados a partir de iniciativas governamentais, como a
implantação do sistema de micro-crédito, os empréstimos de diversos
bancos oficiais, linhas de crédito para a compra de materiais de
construção de casa própria, a geração de empregos com carteira
assinada, que saltou de 8 mil para 108 mil mensalmente, entre outras.
Nesta ótica,
portanto, a redução do superávit poderá sim intensificar a adoção de
medidas como estas, equilibrando as históricas desigualdades sociais
de nosso país. E é esta a perspectiva dos milhares de trabalhadores
que tomaram a Esplanada dos Ministérios, reivindicando medidas que
otimizem as condições de vida da maioria da população brasileira, como
a valorização do salário mínimo, redução da jornada de trabalho sem
diminuição de salário e o reajuste de 13% na tabela do Imposto de
Renda.
Estes
trabalhadores são conscientes de que ainda podemos avançar e, mais do
que ninguém, sabem o quanto é importante e válido manter ativas
políticas de valorização das condições de trabalho.
Logo, dependendo
do aceno que tivermos depois desta Marcha a Brasília, muita pressão
ainda será feita para mantermos o desenvolvimento de nosso país em
alta. Não basta apenas reduzir o superávit e festejar bons resultados.
É preciso investir em políticas que valorizem aqueles que compõem esta
engrenagem chamada Brasil.