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Nº 482 - 01/11/2005


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Editorial

Resultados e perspectiva

Ainda que estejamos sofrendo pressões de empresários e investidores internacionais, finalmente a equipe econômica do governo federal tomou a decisão de reduzir o superávit primário para 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso quer dizer que o governo poupará menos dinheiro para pagar juros de dívidas, podendo investir em infra-estrutura, projetos sociais e nas demais áreas que aceleram o desenvolvimento do país.

Até novembro, a manutenção da ortodoxa política econômica do ministro Palocci fez com que a meta do superávit cumprida no país ficasse na casa dos 5%. Agora, depois de tanto tempo de arrocho e pressões dos movimentos sociais, o governo declarou que cumprirá a meta da Lei de Diretrizes Orçamentárias, neste e no ano que vem.

Tal decisão possibilitará a superação dos dados divulgados na última semana pela Fundação Getúlio Vargas e pelo IBGE, de que em 2004 a miséria atingiu seu nível mais baixo desde 2002, sendo que, só no ano passado caiu duas vezes mais do que no anterior.

De acordo com a pesquisa, tais resultados são atribuídos aos avanços sociais obtidos em 2004, e conquistados a partir de iniciativas governamentais, como a implantação do sistema de micro-crédito, os empréstimos de diversos bancos oficiais, linhas de crédito para a compra de materiais de construção de casa própria, a geração de empregos com carteira assinada, que saltou de 8 mil para 108 mil mensalmente, entre outras.

Nesta ótica, portanto, a redução do superávit poderá sim intensificar a adoção de medidas como estas, equilibrando as históricas desigualdades sociais de nosso país. E é esta a perspectiva dos milhares de trabalhadores que tomaram a Esplanada dos Ministérios, reivindicando medidas que otimizem as condições de vida da maioria da população brasileira, como a valorização do salário mínimo, redução da jornada de trabalho sem diminuição de salário e o reajuste de 13% na tabela do Imposto de Renda.

Estes trabalhadores são conscientes de que ainda podemos avançar e, mais do que ninguém, sabem o quanto é importante e válido manter ativas políticas de valorização das condições de trabalho.

Logo, dependendo do aceno que tivermos depois desta Marcha a Brasília, muita pressão ainda será feita para mantermos o desenvolvimento de nosso país em alta. Não basta apenas reduzir o superávit e festejar bons resultados. É preciso investir em políticas que valorizem aqueles que compõem esta engrenagem chamada Brasil.

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