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Nº 482 - 01/11/2005


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Em busca do sonho

Nós, que participamos ativamente das lutas do povo e dos trabalhadores brasileiros desde meados da década de 70, que corremos todos os riscos que a luta de vanguarda empunha naquela época e já temos alguma experiência de luta, hoje, diante do contexto político, sindical e econômico do nosso país, temos que intensificar a unidade e esforços das entidades, partidos e sindicatos engajados no combate ao neoliberalismo, que tanto já prejudicou e desvalorizou o nosso país, reconhecido por suas riquezas naturais e altivo povo trabalhador.

É com tristeza que sentimos saudades daquela vanguarda de esquerda, que empenhada na luta contra a viciada e corrupta ditadura, e apesar dos vários confrontos entre si, jamais se aliava aos governos ou instituições da direita burguesa, por mais que a linha de pensamento divergisse (quem esquece a eterna rixa entre stalinistas e trotskistas?!). Comunistas ou socialistas sempre acabavam se unindo para derrotar o inimigo comum: a burguesia nacional ou um misto de capacho e parasita do imperialismo mundial, capitaneado pelos EUA de George Walker Bush.

E foi desta união das vanguardas de esquerda que nasceram as lutas mais importantes do povo brasileiro, combates ferozes contra governos da ditadura, que deixaram saudosas e amargas baixas entre os nossos, e que hoje nos fazem muita falta. Por conta de toda essa história, é que sentimos tristeza ao constatar que, atualmente, a luta vem sendo travada de forma equivocada.

Os anseios de combatentes que até então estavam empenhados em construir um país onde todos tivessem expectativa de vida e oportunidades, levando a soberania nacional como bandeira de luta, com líderes progressistas em uma de suas pontas, hoje estão se perdendo no tempo em meio a uma enorme fogueira de vaidades, oportunismos e contradições, e provocando o divisionismo na sempre arrojada e combativa esquerda brasileira.

Com isso, além de se empenhar em fazer oposição à direita neoliberal e garantir a continuidade de um projeto que prioriza o desenvolvimento nacional, a vanguarda da esquerda brasileira tem que concentrar seus esforços também para neutralizar a atuação dos companheiros que, equivocadamente, vieram a compor uma pseudo esquerda, mas que acaba fazendo coro à direita capitalista.

A incompreensão, as vaidades pessoais, a ganância pelo poder (por menor que seja), a corrupção, a desonestidade e a covardia desta falsa esquerda facilitam o trabalho da bandidagem burguesa da direita oligárquica.

Já passou da hora de darmos um basta nesta situação, de usar as palavras duras e atitudes enérgicas para podermos voltar à nossa rota, organizarmos e fortalecermos nossas lutas, com mobilização e unidade. Passou do tempo de agirmos para acabar com o divisionismo e a pulverização sindical, a rivalidade gananciosa, vil e perniciosa da política, para podermos fortalecer nossa luta contra os opressores do povo.

É preciso ter claro que dentro da democracia burguesa, com suas eleições e instituições viciadas e corruptas, o máximo que poderíamos alcançar já alcançamos. Não espere mais.

Agora a luta urgente é pela homogeneidade de forças, e mudanças. Por uma reforma trabalhista e sindical que insira de vez o trabalhador e o povo brasileiro na história deste país, como protagonista. Não como patuléia. Por uma reforma política que favoreça a unidade dos partidos defensores do povo trabalhador, contra a burguesia podre e eternamente corrupta. É hora de acordar dos nossos pesadelos e buscarmos nossos sonhos.

Edson Guimarães – BTO

 

   

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