Espaço Aberto:
Em busca do sonho
Nós, que participamos ativamente das lutas do povo e dos trabalhadores
brasileiros desde meados da década de 70, que corremos todos os riscos
que a luta de vanguarda empunha naquela época e já temos alguma
experiência de luta, hoje, diante do contexto político, sindical e
econômico do nosso país, temos que intensificar a unidade e esforços
das entidades, partidos e sindicatos engajados no combate ao
neoliberalismo, que tanto já prejudicou e desvalorizou o nosso país,
reconhecido por suas riquezas naturais e altivo povo trabalhador.
É com tristeza que
sentimos saudades daquela vanguarda de esquerda, que empenhada na luta
contra a viciada e corrupta ditadura, e apesar dos vários confrontos
entre si, jamais se aliava aos governos ou instituições da direita
burguesa, por mais que a linha de pensamento divergisse (quem esquece
a eterna rixa entre stalinistas e trotskistas?!). Comunistas ou
socialistas sempre acabavam se unindo para derrotar o inimigo comum: a
burguesia nacional ou um misto de capacho e parasita do imperialismo
mundial, capitaneado pelos EUA de George Walker Bush.
E foi desta união
das vanguardas de esquerda que nasceram as lutas mais importantes do
povo brasileiro, combates ferozes contra governos da ditadura, que
deixaram saudosas e amargas baixas entre os nossos, e que hoje nos
fazem muita falta. Por conta de toda essa história, é que sentimos
tristeza ao constatar que, atualmente, a luta vem sendo travada de
forma equivocada.
Os anseios de
combatentes que até então estavam empenhados em construir um país onde
todos tivessem expectativa de vida e oportunidades, levando a
soberania nacional como bandeira de luta, com líderes progressistas em
uma de suas pontas, hoje estão se perdendo no tempo em meio a uma
enorme fogueira de vaidades, oportunismos e contradições, e provocando
o divisionismo na sempre arrojada e combativa esquerda brasileira.
Com isso, além de
se empenhar em fazer oposição à direita neoliberal e garantir a
continuidade de um projeto que prioriza o desenvolvimento nacional, a
vanguarda da esquerda brasileira tem que concentrar seus esforços
também para neutralizar a atuação dos companheiros que,
equivocadamente, vieram a compor uma pseudo esquerda, mas que acaba
fazendo coro à direita capitalista.
A incompreensão,
as vaidades pessoais, a ganância pelo poder (por menor que seja), a
corrupção, a desonestidade e a covardia desta falsa esquerda facilitam
o trabalho da bandidagem burguesa da direita oligárquica.
Já passou da hora
de darmos um basta nesta situação, de usar as palavras duras e
atitudes enérgicas para podermos voltar à nossa rota, organizarmos e
fortalecermos nossas lutas, com mobilização e unidade. Passou do tempo
de agirmos para acabar com o divisionismo e a pulverização sindical, a
rivalidade gananciosa, vil e perniciosa da política, para podermos
fortalecer nossa luta contra os opressores do povo.
É preciso ter
claro que dentro da democracia burguesa, com suas eleições e
instituições viciadas e corruptas, o máximo que poderíamos alcançar já
alcançamos. Não espere mais.
Agora a luta
urgente é pela homogeneidade de forças, e mudanças. Por uma reforma
trabalhista e sindical que insira de vez o trabalhador e o povo
brasileiro na história deste país, como protagonista. Não como
patuléia. Por uma reforma política que favoreça a unidade dos partidos
defensores do povo trabalhador, contra a burguesia podre e eternamente
corrupta. É hora de acordar dos nossos pesadelos e buscarmos nossos
sonhos.
Edson Guimarães – BTO