Por melhores condições de vida para todos


Brasília teve sua paisagem mudada pelas marchas que ocorreram na
segunda quinzena de novembro
Os últimos 15 dias foram marcados por importantes manifestações
dos movimentos sociais, em Brasília, como a II Marcha Zumbi + 10 e a
Marcha pela Valorização do Salário Mínimo, Redução da Jornada de
Trabalho entre outras causas que visam a melhoria das condições de
vida dos trabalhadores brasileiros. Tendo em vista a necessidade de
fortalecer estas reivindicações, bem como seus valores social,
político e econômico para toda a sociedade, o Sindicato participou de
ambas as atividades, junto com vários trabalhadores de outros
sindicatos filiados à CUT.
Zumbi + 10
No dia 22/11, os
companheiros dos movimentos negro e sindical ocuparam e coloriram os
arredores da Esplanada dos Ministérios, com suas faixas, blocos,
danças e coreografias, reivindicando a aprovação do Estatuto pela
Igualdade Racial, agilização da titulação e regularização das terras
quilombolas, a garantia dos direitos da juventude e das mulheres
negras, respeito às religiões de matriz africana e valorização da
diversidade cultural, entre outras que justificam a indignação da
população negra, contra o processo de exclusão a que são submetidos.
Em audiência com o
presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, representantes do
Movimento Negro obtiveram aceno positivo com relação à solução do
problema de discriminação contra as religiões africanas, exercido por
religiões pentecostais, em emissoras de rádio e televisão, bem como
sobre a viabilidade de aprovação do Estatuto com fundos financeiros. A
conversa com o presidente Lula também gerou bons resultados, já que
Lula se comprometeu a acelerar o programa de urbanização e
regularização das terras quilombolas.
O Dia da
Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, mas neste ano o
Movimento Negro tomou a iniciativa de realizar a Marcha dois dias
depois para celebrar também os 95 anos da Revolta da Chibata,
comandada por João Cândido, que poderá receber anistia, assim que o
projeto chegar à Câmara, já que Aldo Rebelo se comprometeu a agilizar
a sua votação.
Valorização do trabalhador
No dia 29/11, a
caravana de trabalhadores de São Paulo partiu da sede da CUT, no Brás,
rumo a Candangolândia, em Brasília. Lá, os participantes da marcha
encontraram outros milhares de trabalhadores dos demais estados
brasileiros e prosseguiram caminhando 14,5km, até chegar na Esplanada
dos Ministérios.
As principais
bandeiras defendidas por estes trabalhadores organizados pela
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e centrais sindicais, como
CUT e CGTB, foram um salário mínimo de R$ 400,00, reajuste de 13% na
tabela do Imposto de Renda e a redução da jornada de trabalho para 40
horas, sem redução de salário.
Em audiência com
os ministros do Trabalho, Luiz Marinho; da Casa Civil, Dilma Roussef;
do Planejamento, Paulo Bernardo; e com o secretário-executivo do
Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, lideranças sindicais
apresentaram a pauta de reivindicações dos trabalhadores e, de acordo
com relatos do deputado Daniel Almeida (PCdoB), que esteve presente no
encontro, houve consenso entre os parlamentares de que é preciso
aumentar o poder de compra dos brasileiros, mantendo uma política de
valorização salarial. Nestes moldes, uma nova reunião será convocada
até o dia 20 de dezembro, desta vez com o presidente Lula, para que
seja encerrada esta negociação.
Para encerrar a
programação da Marcha, os representantes dos trabalhadores
participaram de uma conversa com o presidente do senado, Renan
Calheiros, e com Aldo Rebelo, dos quais receberam aceno de que a
partir da próxima terça-feira, o Congresso Nacional irá instalar uma
comissão mista com a tarefa de construir uma política de valorização
do mínimo.
Com essa medida,
tanto os parlamentares quanto trabalhadores têm a perspectiva de
reverter a situação de depreciação em que o salário mínimo foi
submetido nas últimas décadas.
Fotos: Valter Campanato, Lindomar Cruz/ABr