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Nº 482 - 01/11/2005


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Por melhores condições de vida para todos

Brasília teve sua paisagem mudada pelas marchas que ocorreram na segunda quinzena de novembro

 

Os últimos 15 dias foram marcados por importantes manifestações dos movimentos sociais, em Brasília, como a II Marcha Zumbi + 10 e a Marcha pela Valorização do Salário Mínimo, Redução da Jornada de Trabalho entre outras causas que visam a melhoria das condições de vida dos trabalhadores brasileiros. Tendo em vista a necessidade de fortalecer estas reivindicações, bem como seus valores social, político e econômico para toda a sociedade, o Sindicato participou de ambas as atividades, junto com vários trabalhadores de outros sindicatos filiados à CUT.

Zumbi + 10

No dia 22/11, os companheiros dos movimentos negro e sindical ocuparam e coloriram os arredores da Esplanada dos Ministérios, com suas faixas, blocos, danças e coreografias, reivindicando a aprovação do Estatuto pela Igualdade Racial, agilização da titulação e regularização das terras quilombolas, a garantia dos direitos da juventude e das mulheres negras, respeito às religiões de matriz africana e valorização da diversidade cultural, entre outras que justificam a indignação da população negra, contra o processo de exclusão a que são submetidos.

Em audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, representantes do Movimento Negro obtiveram aceno positivo com relação à solução do problema de discriminação contra as religiões africanas, exercido por religiões pentecostais, em emissoras de rádio e televisão, bem como sobre a viabilidade de aprovação do Estatuto com fundos financeiros. A conversa com o presidente Lula também gerou bons resultados, já que Lula se comprometeu a acelerar o programa de urbanização e regularização das terras quilombolas.

O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de novembro, mas neste ano o Movimento Negro tomou a iniciativa de realizar a Marcha dois dias depois para celebrar também os 95 anos da Revolta da Chibata, comandada por João Cândido, que poderá receber anistia, assim que o projeto chegar à Câmara, já que Aldo Rebelo se comprometeu a agilizar a sua votação.

Valorização do trabalhador

No dia 29/11, a caravana de trabalhadores de São Paulo partiu da sede da CUT, no Brás, rumo a Candangolândia, em Brasília. Lá, os participantes da marcha encontraram outros milhares de trabalhadores dos demais estados brasileiros e prosseguiram caminhando 14,5km, até chegar na Esplanada dos Ministérios.

As principais bandeiras defendidas por estes trabalhadores organizados pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e centrais sindicais, como CUT e CGTB, foram um salário mínimo de R$ 400,00, reajuste de 13% na tabela do Imposto de Renda e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução de salário.

Em audiência com os ministros do Trabalho, Luiz Marinho; da Casa Civil, Dilma Roussef; do Planejamento, Paulo Bernardo; e com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, lideranças sindicais apresentaram a pauta de reivindicações dos trabalhadores e, de acordo com relatos do deputado Daniel Almeida (PCdoB), que esteve presente no encontro, houve consenso entre os parlamentares de que é preciso aumentar o poder de compra dos brasileiros, mantendo uma política de valorização salarial. Nestes moldes, uma nova reunião será convocada até o dia 20 de dezembro, desta vez com o presidente Lula, para que seja encerrada esta negociação.

Para encerrar a programação da Marcha, os representantes dos trabalhadores participaram de uma conversa com o presidente do senado, Renan Calheiros, e com Aldo Rebelo, dos quais receberam aceno de que a partir da próxima terça-feira, o Congresso Nacional irá instalar uma comissão mista com a tarefa de construir uma política de valorização do mínimo.

Com essa medida, tanto os parlamentares quanto trabalhadores têm a perspectiva de reverter a situação de depreciação em que o salário mínimo foi submetido nas últimas décadas.

 

 

Fotos: Valter Campanato, Lindomar Cruz/ABr

   

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