Editorial
Eu sou da América do Sul
A sexta edição do
Fórum Social Mundial ocorrida em Caracas, na Venezuela, veio à tona em
meio a um contexto especial, sendo marcada por um renovado e
fortalecido sentimento de unidade e mobilização contra o imperialismo
que vem tentando se alastrar por todo o mundo, constantemente.
Algumas motivações
para tanto são a consolidação de Hugo Chávez como um dos principais
inimigos do neoliberalismo e, conseqüentemente, aliado da soberania
dos povos; o estabelecimento de harmoniosa relação entre ele, Lula e
Nestor Kirchner; a chegada do líder indígena Evo Morales à presidência
da Bolívia, a vitória da presidente Michelle Bachelet no Chile e a
possibilidade de vitória da esquerda no México e Peru.
A soma destes
fatores representa mais um largo passo dos trabalhadores em direção à
integração latino-americana e combate ao vício capitalista
norte-americano. A cada dia a esquerda vem tomando o seu espaço e
dando peso para a formação de uma sociedade à parte do que pretendem
os países mais ricos do mundo, em especial os EUA e FMI.
No FSM,
aproximadamente oitenta mil pessoas de todo o mundo estiveram
presentes para participar das cerca de 1800 atividades distintas e
simultâneas, sempre voltadas para o avanço das discussões sobre o
combate à militarização dos povos, práticas neoliberais e o
aprofundamento da relação entre partidos, movimentos sociais e
governos.
A América do Sul
está cada vez mais com seus discursos e práticas afinadas contra a
submissão, conforme também demonstrou a realização da 3ª Cúpula dos
Povos, em novembro passado, em Mar del Plata, na Argentina, para
contrapor a 4ª Cúpula das Américas, quando George Walker Bush fez sua
indesejada visita à América Latina, passando pelo Brasil.
Ali, os países do
Mercosul, mais a Venezuela, deixaram explícito o quanto consideram
inoportuna a implantação da Alca. Desta forma, paralisou-se esta
insana pretensão, visando cada vez mais fortalecer o Mercosul,
inclusive, incorporando a República Bolivariana da Venezuela.
No Brasil, as
eleições que se aproximam serão decisivas para buscar o aprofundamento
das mudanças que garantam o desenvolvimento econômico e social com
valorização do trabalho, ou amargarmos o retrocesso da retomada da
Alca, das privatizações, retirada de direito dos trabalhadores, como
ainda assistimos no nosso Estado com a concessão da Linha 4 e na
Capital Paulista com a privatização da Saúde e Educação.