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Nº 484 - 03/02/2006


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Editorial

Eu sou da América do Sul

A sexta edição do Fórum Social Mundial ocorrida em Caracas, na Venezuela, veio à tona em meio a um contexto especial, sendo marcada por um renovado e fortalecido sentimento de unidade e mobilização contra o imperialismo que vem tentando se alastrar por todo o mundo, constantemente.

Algumas motivações para tanto são a consolidação de Hugo Chávez como um dos principais inimigos do neoliberalismo e, conseqüentemente, aliado da soberania dos povos; o estabelecimento de harmoniosa relação entre ele, Lula e Nestor Kirchner; a chegada do líder indígena Evo Morales à presidência da Bolívia, a vitória da presidente Michelle Bachelet no Chile e a possibilidade de vitória da esquerda no México e Peru.

A soma destes fatores representa mais um largo passo dos trabalhadores em direção à integração latino-americana e combate ao vício capitalista norte-americano. A cada dia a esquerda vem tomando o seu espaço e dando peso para a formação de uma sociedade à parte do que pretendem os países mais ricos do mundo, em especial os EUA e FMI.

No FSM, aproximadamente oitenta mil pessoas de todo o mundo estiveram presentes para participar das cerca de 1800 atividades distintas e simultâneas, sempre voltadas para o avanço das discussões sobre o combate à militarização dos povos, práticas neoliberais e o aprofundamento da relação entre partidos, movimentos sociais e governos.

A América do Sul está cada vez mais com seus discursos e práticas afinadas contra a submissão, conforme também demonstrou a realização da 3ª Cúpula dos Povos, em novembro passado, em Mar del Plata, na Argentina, para contrapor a 4ª Cúpula das Américas, quando George Walker Bush fez sua indesejada visita à América Latina, passando pelo Brasil.

Ali, os países do Mercosul, mais a Venezuela, deixaram explícito o quanto consideram inoportuna a implantação da Alca. Desta forma, paralisou-se esta insana pretensão, visando cada vez mais fortalecer o Mercosul, inclusive, incorporando a República Bolivariana da Venezuela.

No Brasil, as eleições que se aproximam serão decisivas para buscar o aprofundamento das mudanças que garantam o desenvolvimento econômico e social com valorização do trabalho, ou amargarmos o retrocesso da retomada da Alca, das privatizações, retirada de direito dos trabalhadores, como ainda assistimos no nosso Estado com a concessão da Linha 4 e na Capital Paulista com a privatização da Saúde e Educação.

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