Última Edição:
Nº 484 - 03/02/2006


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Espaço Aberto

Nossos heróis

Durante a greve de 1988, um grupo formado pelos maiores expoentes políticos da categoria, com tendências claramente de esquerda, revolucionários, tomaram a frente do movimento grevista, participando ativamente dos piquetes, panfletagens e enfrentamentos que culminaram na indigesta demissão dos 357 companheiros e companheiras. Deste montante, um grande número de agentes de segurança foram inclusos no bolo, diminuindo o já reduzido quadro. Logo depois veio a incrível reestruturação, retirando aleatoriamente e indiscriminadamente mais uma leva de agentes do nosso quadro, quase reduzido a pó. E foi a partir daí que começou a surgir uma Legião de Heróis. Essa Legião passou a cobrir incansavelmente, no horário normal ou fazendo horas extras, norte/sul, leste/oeste, futebol, corridas, torcidas e trombadinhas, tarados, banheiros e conocos, taça júnior, carnaval e eleição, gaviões, manchas e independentes, Linha 2, pastoral do menor e E.C.A, marcha para Jesus, reveillon na Paulista e fritadinhas na Delpom, perder Maria Félix, J. Maria e Pantaleão.

Aí começaram as contratações, gente nova, sangue novo, outra cabeça, oxigenação... Palavras bonitas...

A chegada de gente nova nos encheu de esperança. Uma vez que o número de agentes aumentava, aumentava também a certeza de que dias melhores para o Corpo de Segurança viriam. Uma frase que não me sai da cabeça: “Vocês vieram para arrumar a segurança, pois antigo é tudo tranqueira”.

Esta frase ecoou fundo no coração dos já cansados Heróis, pois foi dita durante um TAS qualquer destes. Logo em seguida veio a era dos GORDINHOS. Aí é que foi duro de engolir. Aqueles Heróis já cansados agora estavam barrigudos. Mesmo assim, alguns foram à luta e novamente mostraram o seu feeling de super-heróis, emagreceram e tornaram-se atletas. Só esqueceram de estudar e ter um diploma de nível superior. Mas se preciso for, lá vão eles para o banco da sala de aula novamente, provar que são realmente os Heróis dele mesmos, talvez.

Policarpo - Linha 5/Lilás, diretor da Fenametro


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