Tema 1
Conjuntura Estadual
Os 12 anos do governo tucano
41. Com 12 anos na
condução do governo estadual, o PSDB segue as mesmas características
do governo FHC, que em seus oito anos, aumentou a dívida pública de 62
bilhões pra 623 bilhões de reais, e que vendeu 76 bilhões de dólares
de patrimônio público. E após 2002, com um mandato a mais, segue a
extensão do projeto no desmonte do estado, agora nos serviços de água,
abastecimento e transportes.
42. É necessário
destacar que o ICMS, principal receita própria do Estado, crescerá
menos do que a Receita Total – cerca de 12,20% - enquanto as
Transferências do Governo Federal para o Estado de São Paulo subirão
21,49%.
43. Deste modo,
apesar do Governo Alckmin alardear a falta de repasses do Governo
Central, o que se observa é uma previsão - da própria Secretaria de
Planejamento do Estado – de crescimento dos Recursos Federais em ritmo
superior ao crescimento dos Recursos Estaduais.
44. A conseqüência
disso é que o Estado de São Paulo, que representa um terço do PIB
nacional e metade das exportações brasileiras, participava de 51% da
indústria brasileira. Hoje essa participação caiu para 45%.
45. Esse é o
retrato do governo Alckmin e das políticas defendidas pelo tucanato.
46. Na segurança
pública, por ano, são registrados 9 mil homicídios e cerca de 180 mil
roubos de veículos no Estado. E, o Estado mais rico da Federação paga
o 25º pior salário para a Polícia Civil.
47. Na saúde, uma
representação no Ministério Público questiona o não cumprimento da
legislação federal que estipula um gasto de12% dos recursos, que
demonstra uma política de desvalorização do SUS, retomando o projeto
PAS de Pitta e Maluf.
48. E na educação,
o governador encaminhou um projeto de lei à Assembléia Legislativa
propondo como solução para educação a demissão sumária de 128 mil
professores temporários. Temporários, porque nesse período todo o
Estado não realizou concurso público para oficializar o quadro de
educadores.
49. Na Febem, que
consome mais de R$ 500 milhões por ano, sua política tem se mostrado
cada vez mais ineficaz. Apesar dos esforços junto à mídia, não
conseguiu dar uma resposta satisfatória à sociedade, e de forma
arbitrária e ilegal, manteve a demissão de quase todos os
trabalhadores, numa clara perseguição ao sindicato.
50. As manobras
realizadas nos orçamentos, quando subestimam as receitas para terem
liberdade de aplicação de recursos excedentes, o crescimento da
renúncia fiscal e o alto grau de endividamento do Estado têm
prejudicado em muito os investimentos necessários, levando o Estado de
São Paulo a um crescimento abaixo da média do País nos últimos anos.
Isso, na segunda maior receita, abaixo somente do governo Federal.
51. E, com todo
esse currículo, tramitam há 3 anos na Assembléia Legislativa de São
Paulo 65 pedidos de CPIs. Todas com as assinaturas necessárias para
funcionar: 33 dos 94 deputados estaduais que compõem a Assembléia. Mas
todas elas têm sido obstruídas sistematicamente pela base que apóia o
governador Geraldo Alckmin.
52. No Metrô a
postura não tem sido diferente. Contando com bons recursos para
investimentos, procuram uma nova forma de gestão na empresa, visando
adequá-las à sua concepção de mercado.
53. As
dificuldades que o sindicato tem encontrado nas negociações não estão
de forma alguma deslocadas desse cenário. Os diversos ataques à
organização do trabalho demonstram claramente os objetivos desta
gestão. Na organização do trabalho, estamos falando de jornada,
escala, salário, plano de carreira, adicionais, passivos e saúde e
segurança no trabalho.
54. Para
finalizar, vale uma nota sobre o plano de carreira do Estado:
55. Por trás da
propaganda oficial que tenta vender “austeridade, responsabilidade e
trabalho”, o governador de São Paulo e presidenciável declarado
Geraldo Alckmin já entrou no clima de fim de governo com um aumento de
16,75% no próprio salário, que passou de R$ 12.720 para R$ 14.800
desde o último mês de janeiro.
56. Mas, de olho
no apoio de correligionários para a disputa interna dos tucanos, o
governador quis deixar ainda mais satisfeitos também os diretores e
conselheiros das empresas estatais, com percentuais até mais elevados.
57. Como se não
bastassem os aumentos excessivos aos diretores, o Codec considerou
também “oportuna a extensão aos membros de Conselho de Administração”
do bônus anual e abocanhou sua parte nos 10% dos dividendos ou juros
sobre capital próprio distribuídos ao acionistas, com limite de seis
remunerações.
58. Enquanto isso
não há recursos para o nosso plano de carreira!
59. A blindagem
desse governo pela imprensa e o alto grau de repressão aos
trabalhadores vem dificultando concretamente uma resposta mais eficaz.
60. As ações do
sindicato dos metroviários nesse período são de fundamental
importância para resgatar o Metrô à sociedade como uma empresa pública
e estatal, e manter sua aceitação pelos usuários como a de melhor
serviço prestado. Esse reconhecimento se deve muito mais aos esforços
que os metroviários têm realizado ao longo destes anos, do que às
diretrizes adotadas pelos tucanos.