Tema 2
O setor de Transporte na Nova Era
Importância do transporte público
61. O transporte
público é um serviço essencial e indispensável nas cidades, cumprindo
um papel social e econômico de grande importância. São vários os
aspectos que podem ser ressaltados nesse sentido. Vale destacar que o
transporte coletivo democratiza a mobilidade ao facilitar a locomoção
da esmagadora maioria das pessoas que não possuem automóveis ou não
podem dirigir, socializa os espaços públicos, alivia os
congestionamentos, reduz o uso indiscriminado de energia não
renovável, diminui drasticamente os gastos públicos na área da saúde,
com a redução de acidentes e de doenças causadas pelo trânsito e pela
poluição, racionaliza a necessidade de construção e manutenção de vias
e a destinação de áreas nobres, nos grandes centros, para a construção
de estacionamentos, permitindo a alocação de recursos em setores de
maior relevância social e uma utilização racional e humana do espaço
urbano.
O metrô como solução
62. Neste
contexto, os transportes de massa ganham destaque, especialmente os
sistemas metroviários e ferroviários, por terem papel estruturador na
integração com outros modais, merecendo atenção especial dos poderes
públicos. Em todo o mundo os sistemas de transportes públicos se valem
dos mecanismos de investimentos estatais para garantir justiça social
e a mobilidade pública com decência e respeito aos direitos dos
cidadãos, e no Brasil não deveria ser diferente.
63. Mas o atual
governo do Estado de São Paulo, a partir da eleição de Mário Covas,
adotou os preceitos do Estado mínimo transferindo, ou melhor,
entregando a gestão dos serviços públicos, principalmente aqueles em
que a iniciativa privada tem maiores oportunidades de grandes lucros,
deixando a sociedade à mercê da auto-regulamentação do mercado. Na
última década tem sido marcante a retração dos investimentos para
expansão da rede metroviária em São Paulo.
64. A construção
pela CPTM da Linha 5 – Lilás, com objetivos eleitoreiros, a toque de
caixa, para ser explorada nas eleições de outubro de 2002, para
reeleição de Alckmin, sem que o gerenciamento do projeto e execução
das obras passasse pelos quadros técnicos da Cia. do Metrô, tem
repercussões até hoje na qualidade da operação e manutenção, com
recorrentes problemas de instabilidade do sistema, impactando
negativamente na prestação de um serviço de transporte público, que
deveria ter qualidade, segurança e eficiência, para uma população tão
carente. Isso frustrou muito a expectativa de um transporte
efetivamente transformador da região sul do município.
65. Até 1994 o
Estado subsidiava 30% das receitas. A orientação neoliberal do PSDB no
governo do estado retirou em 3 anos este subsídio, extinguindo os
investimentos de recursos públicos injetados na empresa. Tal conversão
aos princípios do mercado acarretou profundas modificações, tanto nas
relações com os usuários, como no cotidiano e na carreira dos
metroviários.
66. Internamente,
a empresa adota uma política agressiva de retirada de direitos e
conquistas; ataques às organizações da categoria através de
perseguições a dirigentes sindicais; tentativa de desmonte das CIPAs;
modificação unilateral das jornadas de trabalho; elaboração e
manipulação de concursos internos e externos, suprimindo direitos e
conquistas; utilização, em 2001, do TST para retirar conquistas
históricas como, a redução do pagamento na hora extra, recuperados na
campanha salarial de 2003, e o fim do adicional por tempo de serviço
para os trabalhadores que ingressaram na empresa a partir daquela data
(tema que deverá ser objeto principal de reconquista neste ano), e
ausência de um plano de carreira que promova uma regulação funcional
para toda a categoria
67. Não contente
com o desmonte já promovido no metrô, o Governo Alckmin tenta
alucinadamente, em fim de mandato, passar para a iniciativa privada a
Linha 4 - Amarela, de Luz até Vila Sônia, com possibilidade de
extensão até Taboão da Serra, com investimentos superiores a 73% do
total do empreendimento. Utiliza-se para isso das famigeradas leis
estadual e federal das PPPs. Este ato representa para a sociedade um
risco enorme de precarização do transporte metroviário, e a
transferência de vultuosos recursos ao parceiro privado,
configurando-se um dos maiores ralos do dinheiro público que se tem
notícia.
68. Para os
trabalhadores, esta tentativa significa o extermínio de uma categoria
tal como a conhecemos hoje, pois serão retirados recursos do Metrô,
hoje utilizados para custeio de folha de pagamento, manutenção e
modernização tecnológica, para cobrir os custos do operador privado,
impactando diretamente na prestação de serviço nas linhas estatais,
levando ao usuário a falsa impressão de que o estado é ineficiente e o
privado, que contará com dinheiro, uma linha recém inaugurada,
tecnologia de última geração e todas as bajulações da mídia, como
eficiente e mais barato.
69. A campanha
contra a concessão da Linha 4 - Amarela precisa de uma ação articulada
com outros setores sociais para garantir que o modelo proposto possa
ser modificado e que nenhum recurso público seja utilizado para
financiar o “parceiro privado”, pois esse modelo já foi utilizado na
privatização das ferrovias, do setor elétrico e das telecomunicações e
se mostrou altamente prejudicial aos cofres públicos e aos interesses
da população. A privatização/concessão da Linha 4 - Amarela, além de
ser uma negociata, vai significar mais ataques do Metrô para acelerar
a política de sucateamento da empresa e não respeitar os direitos dos
trabalhadores. Os delegados do 8º Congresso dos Metroviários repudiam
a privatização/concessão da Linha 4 - Amarela e aprovam a campanha
publicitária, com o objetivo de atingir toda a sociedade,
principalmente os usuários e trabalhadores em geral, esclarecendo que,
assim como nas demais privatizações, quem acaba por pagar a conta
somos nós. A palavra de ordem tem que ser: “Diga não à privatização do
Metrô”.
Os conflitos com as novas tecnologias
70.
O
metrô de São Paulo nasceu sobre os holofotes de um sistema que
incorporava a mais avançada tecnologia em transporte de alta
capacidade, que se deslocava em alta velocidade por baixo da terra,
podendo ser operado automaticamente. Nas estações, funcionários em
grande número atendiam milhares de usuários, ansiosos em se locomover
num sistema desconhecido, com segurança e rapidez.
71.
Nós
introduzimos toda esta tecnologia no cotidiano dos paulistanos, era a
modernização transportando melhor, com mais segurança, mais rapidez,
criando milhares empregos, com profissionais altamente capacitados.
Por isto não temos medo da evolução tecnológica, fomos forjados neste
mudo cibernético. O que não podemos admitir é que a lógica neoliberal
do governo tucano de Alckmin introduza novas tecnologias, com o
objetivo de eliminar postos de trabalho, atacar direitos e transferir
dinheiro público para empresas privadas operarem mal o nosso sistema.
O Metropass e o Bilhete Único
72. Na tentativa
de implantação do Metropass, a intenção do governo era privatizar a
arrecadação do Metrô da CPTM e da EMTU, visando demitir trabalhadores
destas empresas, passando ao setor privado a mamata de administrar os
recursos referentes ao sistema metro-ferroviário e de transporte
intermunicipal sobre pneus.
73. Conseguimos
barrar esta sandice, com mobilização dos trabalhadores e ações
judiciais e parlamentares.
74. Após uma
reformulação completa no sistema de transporte de ônibus, a
implantação do Bilhete Único na cidade de São Paulo, pela
administração da prefeita Marta Suplicy, permitiu que o paulistano
usuário do sistema de ônibus pudesse se deslocar nos ônibus da cidade
por duas horas, sem limite de viagens. Este modelo foi amplamente
aprovado pela população, deixando os que apostavam no caos sem
argumento para criticar o transporte público no município de São
Paulo.
75. Logo, a
população começou a cobrar a integração do Bilhete Único com o Metrô e
a CPTM, mas as disputas políticas entre prefeitura e estado
inviabilizaram qualquer possibilidade. Na campanha eleitoral de 2004,
esta bandeira foi abraçada pelos candidatos ao executivo como
principal meta de seus governos, caso fossem eleitos. O então
candidato Serra, valendo-se da condição do estado de São Paulo estar
sendo governado pelo PSDB, seu partido, conseguiu o compromisso do
governador para implantar a integração, nos moldes que existia na
prefeitura, assim que assumisse. Não cumpriu sua promessa, e após a
pressão popular, tentou implantar sem agregar ao sistema nenhum
benefício aos paulistanos.
76. Porém, com as
proximidades das eleições presidenciais e sendo candidatos a candidato
à presidência da república, de uma hora para a outra, implantaram o
Bilhete Único no Metrô, com substancial redução das tarifas, para quem
utiliza a integração.
77. Os
metroviários são a favor de toda iniciativa que traga benefício,
conforto e comodidade para o usuário, mas não pode concordar com a
intenção do governo e do Metrô de custear a redução das tarifas
integradas à custas da eliminação de postos de trabalho de
metroviários, pois junto com a implantação do Bilhete Único, vem a
intenção de terceirizar a venda e recarga dos cartões dentro das
estações do Metrô e CPTM, num movimento que tem como pano de fundo a
retomada do modelo já soterrado do Metropass, entregando todo o
sistema de arrecadação para empresas privadas.
78. Exigimos que
esta atividade seja executada por metroviários e funcionários da CPTM
que fazem este trabalho e que se abra concurso público para
contratação de mais funcionários para atender a demanda que hoje já é
grande e que deverá aumentar mais ainda com a implantação do cartão em
todas as estações.
79. A implantação
de novas tecnologias sob a lógica do modelo neoliberal, que desemprega
e precariza as condições de trabalho, serão combatidas pelos
metroviários, que defendem que estes equipamentos e dispositivos devem
contribuir para uma política de redução de jornada de trabalho, sem
redução de salário e com ampliação de direitos e conquistas.