Tema 3
O movimento sindical
Perspectiva Socialista: uma questão de classe
80. Os impactos da
globalização neoliberal não se fazem sentir apenas no desastre social
em que está imersa grande parte da população do globo. Há também um
impacto subjetivo importante, advindo da avalanche de idéias
revestidas de progressistas, mas que na verdade tem o claro propósito
de debilitar as organizações populares. O movimento sindical, como
outros movimentos e forças progressistas, vive, portanto, fase de
defensiva, ainda num processo de acúmulo de forças para responder
plenamente aos ataques que lhe são impostos.
81. Há correntes
de pensamento que, aproveitando deste momento, apregoam a pulverização
dos movimentos sociais em variadíssimas lutas específicas, não tendo
entre elas um ponto em comum que catalise politicamente para a
transformação social as potencialidades de cada movimento. De modo
geral, tais ideais também preconizam que o trabalho perdeu sua
centralidade e, por conseguinte, não seriam mais os trabalhadores a
força motriz das grandes transformações históricas. Essa concepção
falsa, que nega a luta de classes e o papel social do trabalho, tem de
ser combatida e desmascarada, através da demonstração de que ainda
hoje o trabalho é que gera a riqueza e, portanto, é fundamental à
humanidade.
82. É na
contra-corrente deste pensamento que deve se engajar o sindicalismo
combativo, fazendo a ligação das reivindicações imediatas dos
trabalhadores com a necessidade de combater o sistema que os explora.
A justa combinação das lutas específicas com as questões gerais é o
que mantém o sindicato em sintonia com sua base social e, ao mesmo
tempo, leva o trabalhador a exercer seu papel político.
83. Para ser
conseqüente com o seu papel histórico, os trabalhadores e suas
organizações não podem perder a perspectiva antiimperialista e
revolucionária. As lutas econômicas, travadas através dos sindicatos e
centrais sindicais, devem apontar a superação do sistema capitalista,
agora em sua fase neoliberal, como o objetivo mais avançado da classe.
É necessário que a construção do Socialismo, com feições modernas, sem
dogmas e de acordo com as necessidades de um futuro digno para os
povos, esteja no horizonte da luta dos trabalhadores e de suas
organizações. É, sem dúvida, um grande desafio para o movimento
sindical classista, combativo e vigoroso.
84. Se
considerarmos que o país vem de quase duas décadas de semi-estagnação
econômica (na década de 80 o crescimento médio foi de 3%, e a média
dos anos entre 1990 e 2002 foi de pífios 2%), mostra-se errática a
tese da “falência” dos sindicatos. Períodos de crise econômica afetam
negativamente entidades sindicais, porque além de o percentual de
trabalhadores desempregados aumentar, também são difíceis maiores
conquistas, afetando seu poder de mobilização. É significativo, nesta
conjuntura, o fato de o país ter um movimento sindical potencialmente
forte e presente em amplos setores da economia nacional. Para isso,
propomos:
• Destacar a
importância e a urgência da ampliação das taxas atuais de
sindicalização. Aumentar o número de trabalhadores filiados a suas
entidades deve ser, antes de tudo, um compromisso político e
ideológico dos dirigentes.
85. Políticos,
porque quanto mais trabalhadores associados um sindicato tem, mais
legitimidade e força tem ele para encampar as lutas de sua categoria.
Ideológico, porque a razão de ser do sindicato é forjar a unidade dos
trabalhadores para o enfrentamento das lutas de classes. É equivocada
a concepção dos que vêem no sindicalismo apenas o espaço para vazão
das lutas corporativas. O mais importante é que a mobilização dos
trabalhadores por conquistas, ainda que pontuais, desperta a
consciência política e, com isso, a consciência de classe para si.
Logo, a luta dos trabalhadores se reveste de caráter anticapitalista e
tem sentido transformador.
• Renovar os laços
de solidariedade e unidade entre os trabalhadores: abrir mecanismos de
participação para os enormes contingentes de trabalhadores informais e
desempregados, que devem ter nos sindicatos uma forma de
representação.
• Deslocar o eixo
principal de atuação dos sindicatos para os locais de trabalho. É lá
que a concepção de um sindicalismo combativo e classista tem leito
privilegiado para sua propagação, já que é onde se dá de maneira mais
direta o embate entre capital e trabalho. Portanto, as direções
sindicais devem apostar na organização no local de trabalho, como
elemento de fundamental importância à mobilização e ao aumento
substantivo dos índices de trabalhadores sindicalizados.
• Renovar práticas
e métodos de direção, desde a Central até os sindicatos de base. É
preciso lutar cotidianamente contra a burocratização das entidades
sindicais. Por isso, faz-se necessário maior participação das bases,
maior horizontalização dos mecanismos de tomada de decisão e a prática
de uma maior renovação de direções sindicais, o que faz necessário
investir na formação político-ideológica dos ativistas sindicais.
86.Podemos chegar
à conclusão de que o movimento sindical não contribuiu como deveria
para enfrentar os desafios do último período por razões subjetivas
(orientação política das direções e nível de consciência política dos
trabalhadores) e objetivas (desemprego crônico e a reestruturação
produtiva). Uma nova perspectiva, através de um sindicalismo
anticapitalista e unitário, é o caminho para o movimento sindical
defender melhor os interesses da classe trabalhadora no Brasil, como
em todo o mundo.
87.O movimento
sindical não se colocou à altura dos desafios postos pela dinâmica da
luta de classes após a eleição de Lula. O fato dos trabalhadores não
se mobilizarem em movimentos mais ativos em defesa da valorização do
trabalho deve ser atribuído em maior grau à desarticulação e
orientação equivocada dos núcleos dirigentes da estrutura sindical.
Balanço da CUT
88. A CUT, desde
sua fundação em 1983, já passou por várias fases na sua elaboração
estratégica - desde a visão de um sindicalismo de massas e combativo,
identificado com o socialismo, até a proposta mais recente de um
“sindicalismo cidadão”.
89. Essas
contradições presentes na atuação estratégica da CUT não tiram, porém,
a dimensão histórica da eleição de um dos fundadores da Central, Luiz
Inácio Lula da Silva, ao cargo de Presidente da República Federativa
do Brasil. No 7º Congresso dos metroviários a resolução apontou como
correto o apoio da Central, já no primeiro turno das eleições de 2002,
para que tal vitória se concretizasse.
90. A avaliação
sobre a vitória de Lula permanece atual, cabendo observar que a
Central nem sempre soube preservar sua autonomia na defesa dos anseios
dos trabalhadores. Por viver uma realidade política nova, a Central
nem sempre soube tratar corretamente o princípio da autonomia
sindical, limitando-se muitas vezes ao diálogo com o governo e
subestimando o papel da mobilização.
91. Ao longo do
mandato foi procurando corrigir estes erros. A Executiva Nacional
demarcou suas posições em torno das medidas econômicas oficiais e das
lutas pela geração de emprego, pela valorização do salário mínimo,
pelo reajuste da tabela do imposto de renda e outras bandeiras.
92. Em dezembro de
2004 e 2005 foram realizadas a primeira e a segunda marchas nacionais
em defesa do salário mínimo em um processo liderado pela CUT, com a
participação dos metroviários e das demais centrais sindicais, que
resultou no maior aumento do valor do salário mínimo nas últimas
décadas, de R$260,00 para R$300,00 em 2005 e de R$300,00 para R$350,00
a partir de abril de 2006.
93. Apesar da
campanha vitoriosa pela elevação do salário mínimo, a atuação da CUT
nos embates sociais mostra-se tímida. A Central não está sendo
protagonista, persiste a defensiva do movimento sindical. O plano de
lutas tirado na 11ª Plenária Nacional é avançado e progressista, mas a
bem da verdade ficou no papel, cabendo perguntar: qual o problema para
a falta de encaminhamento? O problema central é que a CUT não
conseguiu vislumbrar um projeto de nação que pudesse dar o rumo para o
conjunto de suas atividades, debilidade que se refletiu na ação.
94. Faltou
enfrentar de forma mais conseqüente três questões chaves: 1) A CUT
deve definir de forma mais clara um projeto de nação, que renove a
perspectiva e a esperança de mudança dos trabalhadores; 2) Investir e
voltar sua estrutura para a mobilização política nacional da classe
trabalhadora; a negociação com o governo deve estar associada às
mobilizações; 3) Reforçar o princípio da autonomia sindical em relação
ao governo e aos partidos políticos, sem se confundir com neutralidade
e apartidarismo.
95. A Coordenação
dos Movimentos Sociais (CMS) poderia ter recebido da Central um maior
apoio para impulsionar unificadamente as lutas. Por outro lado, a ação
conjunta com a CMS em defesa do governo Lula e contra o golpismo da
direita neoliberal, em 16 de agosto de 2005 em Brasília, foi um ponto
forte e decisivo da atividade política da Central, que envolveu amplos
setores do movimento social sob a liderança da CMS.
96. A falta de
mobilização unitária impediu que fossem revertidas as medidas de
flexibilização e precarização dos contratos de trabalho empreendidas
na década neoliberal. Durante o governo FHC, principalmente, foi
mobilizado todo um arsenal jurídico de leis, medidas provisórias,
portarias e enunciados para saciar o capital, restringir ações
sindicais de resistência e tornar o mercado de trabalho mais flexível.
Houve alterações no contrato de trabalho, jornada de trabalho,
salários, organização do trabalho e demissão. Entre essas, a principal
foi a denúncia da Convenção 158 da OIT no Governo FHC, que trata da
proteção contra dispensa imotivada.
97. Outro equívoco
da Central foi o posicionamento frente à reforma sindical. A Central
deixou-se levar pelas intermináveis reuniões do Fórum Nacional do
Trabalho. O projeto de reforma construído nessa instância provocou
cisão na direção e isolou a CUT do conjunto do movimento sindical
brasileiro. Durante a 11ª Plenária Nacional tirou-se a plataforma
democrática mínima para a reforma sindical. Entretanto, não houve mais
condição política para recolocar a reforma sindical na pauta do Poder
Legislativo, em razão da crise política que eclodiu em Maio/2005 e da
rejeição quase unânime ao projeto elaborado pelo Fórum Nacional do
Trabalho.
98. O resultado é
que não se obteve o reconhecimento legal das Centrais Sindicais, o
direito à organização no local de trabalho, bem como permanece
intocável o custeio das entidades sindicais, não foi extinto o imposto
sindical e há severas restrições do Poder Judiciário para a cobrança
de contribuição assistencial pelos sindicatos.
99. A atuação da
CUT na América Latina conseguiu êxito na rearticulação da Coordenadora
das Centrais do Cone Sul, com a realização de atos unificados dos
trabalhadores do Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina no dia 1º de
Maio. A Plataforma Laboral das Américas representou um importante
documento assinado por setores do movimento sindical das Américas.
Contudo, essas atividades foram insuficientes para que o movimento
sindical liderasse ações para articular lutas unitárias nos diversos
países e fazer frente à ofensiva da globalização neoliberal. A ação
internacionalista tornou-se uma questão estratégica frente à
globalização neoliberal. O espaço nacional é onde se dá o combate
direto; mas sem uma perspectiva e uma ação unitária dos trabalhadores
em todo o mundo contra o capital globalizado, a luta pode ser
ineficaz. Hoje, mais do que nunca, a luta internacionalista do
proletariado é decisiva.
CUT na rua: quem trabalha é que tem razão
100. A CUT deve
fazer uma inversão de prioridades: alçar a mobilização política dos
trabalhadores como o elemento fundamental às conquistas e, portanto, o
centro de sua política. A maior, mais representativa e mais avançada
central sindical brasileira não pode envidar a maior parte de seus
esforços no sentido das negociações. É preciso ser referência de luta
e combatividade para os trabalhadores e, mesmo para estar em boas
condições para negociar, é necessário demonstrar força e ter o
alicerce de uma base social organizada.
101. A Central
deve estreitar mais seus laços com outros movimentos sociais. A
participação da CUT na Coordenação dos Movimentos Sociais já se
demonstrou imprescindível quando da manifestação de 16 de agosto em
Brasília, desmascarando a tentativa de desestabilização do governo
pela direita, apontando o risco da apropriação pela direita dos
discursos equivocados da estrema esquerda e, ao mesmo tempo, exigindo
mudanças na política econômica, punição para os casos de corrupção e
reforma política democrática. As duas edições da Marcha pela
Valorização do Salário Mínimo também demonstraram o potencial
mobilizador da CUT.
102. Por isto, é
preciso compreender a mobilização do povo como imprescindível num
processo de mudanças e combater as visões pragmáticas que subordinam a
mobilização popular às questões conjunturais. A CUT deve apostar mais
na relação de apoio com outros movimentos e na mobilização ampla dos
trabalhadores como prática cotidiana, de responsabilidade sua, como a
maior Central do país que deseja influenciar decisivamente nos rumos
da nação.
Balanço da Fenametro
103. Continuando a
trajetória avaliada na 1ª Plenária, a Fenametro se consolidou ainda
mais e passou a representar definitivamente os metroviários
brasileiros. As mobilizações e os debates nacionais contaram com a
nossa participação e contribuição. Participamos do lançamento do
Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade
para Todos – MDT e por intermédio dele desenvolvemos diversas
atividades na defesa do transporte urbano sobre trilhos público e de
qualidade em várias capitais brasileiras. A luta pela retomada dos
investimentos nos sistemas metroviários se deu em várias frentes,
inclusive a institucional com reuniões no BNDES, com parlamentares,
com o presidente da República, com setores empresariais e
principalmente com o movimento popular.
104. Em 26 de
março de 2004, depois de longa batalha jurídica e burocrática, foi
publicado no Diário Oficial da União o registro sindical da Fenametro.
Este acontecimento é importante, pois se trata da primeira entidade de
segundo grau no setor de transportes filiada à CUT, que obtém seu
registro sindical e é reconhecida como entidade sindical,
possibilitando a busca da unificação do transporte sobre trilhos,
principalmente no campo da Central.
105. Durante esta
gestão, a Fenametro participou de eventos internacionais no Chile e
Argentina, buscando interagir com os trabalhadores e sindicatos do
setor de transporte, culminando com a participação de representação de
trabalhadores metroviários e de transporte do Chile, Argentina,
Venezuela e Cuba no 2o Congresso Nacional dos Metroviários, em agosto
de 2005.
106. Nas três
campanhas salariais do período a Fenametro buscou a integração entre
as categoriais e uma mobilização nacional. Com patrões diferenciados e
ritmos muito distintos, a tentativa de unificar atividades e
calendários ainda encontrou muitas dificuldades. Mesmo assim,
adesivos, cartazes e cartas abertas nacionais foram desenvolvidos
nestes três anos. Com campanhas que se prolongaram por meses, a
Fenametro esteve presente e buscou ajudar nas articulações políticas,
tanto ao nível das empresas e governos, como também no Tribunal
Superior do Trabalho (TST), onde finalizaram as campanhas dos
metroviários de São Paulo em 2003 e 2004, e dos metroviários de
Recife, Belo Horizonte e Fortaleza em 2004.
107. Os
metroviários brasileiros também marcaram sua presença nas duas edições
do Fórum Social Mundial realizadas em Porto Alegre, em 2003 e 2005.
Uma grande delegação de metroviários participou também do Fórum Social
Brasileiro em novembro de 2004, contribuindo na luta global contra o
neoliberalismo. No último realizado no Brasil, em janeiro de 2005, foi
promovida a única oficina que tratou do transporte.
108. Os
metroviários e a Fenametro também marcaram presença no debate
desenvolvido nacionalmente em torno da Reforma Sindical. Em janeiro de
2005, antes mesmo da oficialização da proposta de emenda
constitucional, o Seminário Nacional aprovou por unanimidade uma
resolução que defendia a necessidade de se promover mudanças na
estrutura sindical brasileira que democratizem as relações de trabalho
e garantam de fato a representação dos trabalhadores. No entanto, a
resolução repudiava com ênfase qualquer proposta que pudesse vir a
dividir os trabalhadores, retirar direitos ou limitar o direito de
greve. Com a entrega da PEC 369 no Congresso Nacional, a Fenametro
participou de todas as atividades contra a sua implementação e
continua organizada junto à Frente Nacional contra a PEC 369, no
sentido de lutar e organizar a categoria para resistir contra a
aprovação desta proposta.
109. No campo
institucional, foi aprovado no último congresso organizar uma campanha
nacional pela aprovação do Projeto de Lei 5654/05, do deputado federal
Jamil Murad (PCdoB-SP), que garante jornada de trabalho de 30 horas
semanais para o pessoal de CCO e turnos fixos noturnos; 36 horas
semanais para o pessoal de operações de trens, estações e segurança
operacional e outras atividades de operação, manutenção e
administração em turnos de revezamento; e 40 horas semanais para as
demais atividades de manutenção, operação e administração. Também está
tramitando um projeto de lei que estabelece o dia 26 de outubro como o
dia nacional dos metroviários, data em que foram reconhecidos como
categoria profissional em 1979.
110. Nas questões
específicas de gênero, raça e orientação sexual, a Fenametro estimulou
os sindicatos a organizarem suas secretarias, a exemplo do que temos
em São Paulo. Organizou o 2o Encontro nacional da mulher metroviária e
conseguiu reforçar a necessidade de implementação e respeito às cotas
para as mulheres.
111. Desde o
governo FHC os metroviários de Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre
lutam contra as políticas privatizantes. No caso da CBTU a política
dos tucanos era a de promover a estadualização dos sistemas com data
marcada para sua privatização. A Fenametro, junto com os sindicatos, e
também através da representação no Conselho de Administração da CBTU,
promoveu vários debates sobre o tema nos estados, em conjunto com os
ferroviários de Salvador, Natal, Maceió e João Pessoa. A proposta foi
modificada pelo governo federal e praticamente congelada. No entanto,
este processo está sendo retomado neste momento por parte do governo
federal, através do Ministério da Fazenda, ignorando todo o debate que
se travou no período, tanto no âmbito do Ministério das Cidades, das
Conferências das Cidades e entre os sindicatos da base. Com base nesta
política, já foi estadualizada a Superintendência de Trens Urbanos de
Salvador da CBTU, mas uma liminar impetrada pelo presidente da
Fenametro, que também representa os trabalhadores no Conselho de
Administração da CBTU, paralisou o processo e aguarda decisão final da
Justiça.
112. Uma luta
incessante que se desenvolve nacionalmente é contra a terceirização.
Frente a proposta da CBTU e da Trensurb de oficializar a terceirização
da venda de bilhetes e da segurança operacional, a Fenametro ofereceu
denúncia no Tribunal de Contas da União e o Sindimetrô-RS junto ao
Ministério Público, quanto ao descumprimento da Lei Federal 6.149/73,
por considerar uma flagrante ilegalidade na proposta. A Fenametro
também apoiou a luta dos metroviários paulistas contra a terceirização
da arrecadação e venda de bilhetes e está promovendo denúncias de
terceirização da arrecadação e venda de bilhetes, bem como a
implementação do bilhete único que é promovida pelo prefeito José
Serra e pelo governador Geraldo Alckmin. Também promoveu denúncias de
terceirização na CBTU no Tribunal de Contas da União e tem estimulado
os sindicatos a também promoverem ações judiciais contra as
terceirizações comprovadamente ilegais na CBTU. A luta nacional dos
metroviários tem vitórias, como a dos companheiros de Brasília que
conseguiram derrotar a empresa no Ministério Público do Trabalho e no
TRT, obrigando o Metrô a realizar concurso público para substituir
todos os terceirizados das áreas operacionais.
113. No Rio de
Janeiro, a Fenametro desenvolve uma luta junto com o Sindicato para
denunciar as mazelas do sistema privatizado e encontrar saídas
políticas e jurídicas para tentar reverter o processo. Não se trata de
uma luta fácil, pois o concessionário carioca já está “animado” com a
possibilidade, inclusive, de participar do processo de privatização da
Linha 4 do metro paulista.
114. A Fenametro é
uma conquista dos metroviários brasileiros, e depois de quase quatro
anos de sua reativação já é reconhecida nacionalmente, tanto pelo
movimento sindical como também pelos governos e demais instituições.
Por isso a Fenametro tem participado de vários debates no Congresso
Nacional, nos estados e capitais para debater a questão do transporte
público sobre trilhos sob a ótica dos trabalhadores do setor.
115. Este
reconhecimento também tem sido importante para a busca de uma
unificação política, e se possível orgânica, dos metroviários com os
ferroviários brasileiros. A busca desta unidade tem trilhado caminhos
diversos, com a realização de ações conjuntas contra o processo de
estadualização dos sistemas da CBTU, campanhas salariais conjuntas,
entre outras atividades.Um importante movimento foi realizado pelos
ferroviários baianos que, em função da construção do metrô de
Salvador, se anteciparam e conseguiram o reconhecimento legal para
representar metroviários e ferroviários da Bahia, organizando assim o
primeiro sindicato metro-ferroviário do país.
Balanço CNTT - CUT
116. A
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte da CUT realizou
seu último congresso em dezembro do ano passado com participação de
mais de 147 delegados, representando 5 federações, 32 sindicatos e 3
oposições sindicais.
117. Desde sua
fundação, em 1994, a CNTT tem procurado organizar seus sindicatos em
articulações com seus respectivos modais, assim como inseri-los na
vida orgânica das CUTs estaduais, possibilitando maior troca de
experiência em todos os níveis. Isso não tem sido uma tarefa das mais
fáceis, face ao grau de pulverização dos sindicatos – seja em bases
regionais como também em datas-base.
118. Outro desafio
ainda presente é a construção de uma Política Nacional de Transportes
que procure integrar os modais com planos de desenvolvimento regional.
Essa atuação tem exigido grandes esforços em nível institucional, com
representação no Conselho das Cidades; na direção da ANTP – Associação
Nacional de Transportes Públicos e do MDT – Movimento Nacional pelo
Direito ao Transporte Público e de Qualidade para Todos, e convênios
como o que afirmamos recentemente com o ministério dos Transportes,
numa pesquisa nacional sobre o perfil dos trabalhadores em transportes
e suas necessidades de formação profissional.
119. Outras ações
que também merecem destaque referem-se às ações da CNTT-CUT na
construção de uma negociação sobre cadeias produtivas. Isso
possibilitou uma gestão mais eficiente na obtenção de recursos junto
ao BNDES, e também solicitações de empréstimo junto ao Senado Federal.
Por conseqüência, uma retomada da produção no setor metro-ferroviário.
120. Esse modelo
de financiamento acarretou também na geração de empregos e
modernização do parque produtivo, contribuindo muito nos 5 milhões de
empregos com carteira assinada nos últimos 3 anos.
121. Dentro das
instâncias da CUT, procuramos um contato maior com o setor
metalúrgico, como com a CNM (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da
CUT), com o objetivo de estabelecer um plano de trabalho que
contemplasse o setor. Isso resultou num seminário, em abril de 2005,
financiado pelo TIE da Alemanha, quando nossos princípios na
prioridade ao transporte público foram articulados com a prioridade no
setor automotivo de modernização da frota.
122. Os
metroviários têm participado ativamente, tanto na construção de uma
organização em nível nacional do setor, como também na construção de
uma Política Nacional de Transportes; e hoje contam com 3 membros na
direção executiva da CNTT.