Tema 4
Organização da Categoria
Avaliação
123. Na avaliação
do movimento sindical, constatamos as dificuldades por que passamos. O
refluxo das grandes mobilizações e as dificuldades de avanços e
conquistas, por conta da ofensiva neoliberal que assolou o mundo nas
ultimas décadas, foram as principais causas de desmobilização.
124. As formas
apontadas para enfrentarmos este quadro passam pela organização no
local de trabalho. Neste sentido, o Sindicato dos Metroviários se
destacou com a eleição dos diretores de base, delegados sindicais e
implantação de negociações de CIPAS amplas e representativas,
estabelecendo mecanismos de organização, como Comissões Sindicais de
Base, reuniões antecipadas de cipistas representantes da bancada dos
trabalhadores, material impresso para comunicar com toda a base e
outros.
125. Apesar de
travarmos inúmeras lutas tanto externamente quanto internamente,
enfrentado e barrado diversos ataques desferidos contra os
brasileiros, e especialmente contra a categoria, também fomos
atingidos por esta onda desmotivadora que, aparentemente, rebaixa a
importância das conquistas. Este cenário aliado às dificuldades que
tivemos para manter os fóruns de organização da categoria funcionando
adequadamente, promoveu o descolamento da direção do sindicato, de uma
parcela das bases.
126. É importante
registrar que estas dificuldades se deram também por conta dos ataques
que as entidades sindicais sofreram, através de medidas que reduziram
principalmente suas capacidades financeiras, como intervenção das
empresas no direito de liberdade e autonomia, dificultando a
participação de dirigentes na gestão dos sindicatos, processos e
demissões de dirigentes, impondo altas despesas na defesa jurídica e
manutenção financeira do dirigente atacado e com a demissão de
milhares de trabalhadores.
127. No caso dos
metroviários, que tem sua arrecadação oriunda exclusivamente das
mensalidades de seus associados, representou a redução de diretores
liberados e um rigoroso controle de gastos, dificultando bastante o
desenvolvimento das nossas ações sem, porém, ter diminuído em nada as
lutas que travamos.
128. Independente
deste quadro, precisamos nos esforçar para azeitar a nossa máquina de
resistência, pois só assim poderemos impor derrotas ao projeto
neoliberal de flexibilização de direitos, manter conquistas e
ampliarmos direitos.
Diretores de Base
129. A diretoria
de base é um elo importante entre os delegados sindicais e a diretoria
executiva, permitindo que as discussões fluam por toda a categoria. É
também a correia transmissora das informações que circulam na
categoria, informando sobre os ataques que ocorrem nas diversas áreas,
as lutas que estão sendo desenvolvidas para barrar as ofensivas e o
resultado das mobilizações.
130. Este papel
desenvolvido pelos diretores de base permite também que as
mobilizações para as lutas mais gerais, ou mesmo para interromper um
ataque mais localizado, se tornem mais eficientes, pois a sua
participação cotidiana na área lhes confere credibilidade e autoridade
entre os trabalhadores.
131. Para atender
esta situação, precisamos estabelecer um mecanismo de comunicação que
permita manter informados os diretores de base. As reuniões ampliadas
da diretoria também devem ser realizadas periodicamente, para que o
pensamento da base chegue até a diretoria executiva, permitindo tomada
de decisões mais afinadas com a categoria.
Delegados Sindicais
132. Os delegados
sindicais, além de reforçar a presença do sindicato no local de
trabalho, são importantes aliados dos diretores de base, na tarefa de
organizar a categoria. Os delegados sindicais, em constante debate com
os diretores de base e até mesmo com a diretoria executiva, dão uma
melhor interpretação dos pensamentos, anseios e expectativas da base.
A partir do terceiro mandato, o Sindicato não conseguiu dar um
funcionamento regular, fazendo com que diversos delegados, ao não
serem estimulados, se sentissem desprestigiados e desamparados.
133. É imperioso
realizarmos as eleições para a quarta legislatura, inclusive para
revitalizarmos este importante instrumento de organização, oxigenarmos
o mandato e identificarmos novas lideranças, que vão se formando para
serem os novos dirigentes da categoria.
Comissão Sindical de Base (CSB)
134. A CSB é o
mecanismo que organiza os ativistas do Sindicato na base de debate da
categoria. Diretores de Base e Delegados Sindicais, que são os membros
estatutários da CSB, devem incorporar os cipistas e ativistas da
categoria.
135. O
funcionamento regular das CSB’s permite o debate sobre os problemas
enfrentados pelos trabalhadores em seu local de trabalho, bem como a
democratização das informações e orientações da direção do Sindicato
para a base.
136. Com as
informações vindas das CSB’s, a direção do Sindicato terá condições de
melhor planejar suas ações e, com o conjunto da categoria, por em
prática estratégias mais adequadas para cada situação de
enfrentamento.
137. É necessário
portanto a implementação de uma política de formação dos delegados
sindicais imediatamente após cada eleição, para uniformizar a
compreensão de cada dirigente de seu papel frente aos compromissos
assumidos com a categoria, e as responsabilidades do mandato conferido
nas urnas.
Metrus: Conselhos Deliberativos, Fiscal e Comitê dos Planos de
Saúde
138. O Metrus foi
uma conquista que os metroviários aguardaram com muita expectativa,
pois tinham em sua criação a esperança de um aposentar melhor, com
segurança e tranqüilidade. O esforço da categoria foi apropriado pela
empresa, que durante muito tempo administrou o instituto sem a
participação da categoria.
139. Em virtude da
mobilização e pressão de grandes fundos de pensão, como a Petros,
Previ, Funcef e outros, a partir de 2001, passaram a vigorar as leis
federais 108 e 109, que disciplinaram o funcionamento das entidades de
previdência fechada e aberta, criando principalmente a condição de
paridade entre patrocinadores e participantes nos órgão de gestão dos
fundos.
140. No campo
institucional, a organização dos dirigentes eleitos e dos
participantes em torno da ANAPAR, Associação Nacional dos
Participantes de Fundo de Pensão, é fundamental para a elaboração de
estratégias que permitam a mudança na legislação, conferindo aos
trabalhadores um maior acesso aos órgãos de gestão dos fundos,
tornando-se mais transparentes permitindo uma administração voltada
para criação de mecanismos que atendam as expectativas dos
trabalhadores aposentados do Metrô.
141. No campo
político, o Sindicato deve acompanhar mais de perto a atuação dos
dirigentes eleitos, inclusive dando respaldo à condução do mandato em
curso. O Sindicato deve discutir com estes representantes, políticas a
serem debatidas e implementadas no instituto, permitindo que estes
dirigentes se comuniquem com a categoria, para denunciar as tomadas de
decisões que prejudiquem os metroviários participantes do Metrus.
Cipas
142.
O
acordo das Cipas, celebrado em 2000, foi uma enorme vitória da
organização da categoria e fruto de uma estratégia acertada do
Sindicato de usar as mudanças ocorridas na NR-5, para ampliar o número
de cipas e cipistas.
143.
A
resistência do Metrô foi enorme. Várias mesas redondas foram
realizadas na DRT, quando a direção da empresa recusava-se a aceitar
os avanços que a nova legislação trazia. Mesmo depois de assinado o
acordo, a empresa se recusou a implantar a reunião prévia da bancada
dos trabalhadores, a Intercipas, acatar o plano de trabalho e outras
medidas que estavam consagradas na norma e no acordo.
144.
Com
muita pressão e determinação, estruturamos todas as Cipas e, em 2003,
em virtude da inauguração da Linha 5 – Lilás, conquistamos a ampliação
de 8 para 10 o número de Cipas e atingimos a marca de 176 cipistas
eleitos, entre titulares e suplentes. Apesar de não ter sido uma
tarefa fácil, pois a empresa perseguia, punia e transferia cipistas, a
atuação sintonizada com o Sindicato, DRT e MPT, impôs derrotas à
empresa.
145
Para
tentar conter os avanços obtidos na Cipa, o Metrô quis acabar com o
aditivo ao Acordo Coletivo assinado em 2000 e renovado em 2003,
valendo-se da Portaria 16 do TEM, feita em 2001 por FHC, sem a
participação dos trabalhadores, representando um retrocesso em relação
à NR5.
146.
Os
metroviários não se renderam à forma truculenta e antidemocrática com
que a empresa tentou impor as eleições 2006/2007, numa tentativa de
reduzir de 176 para apenas 60 o contingente de cipista eleitos. O
Sindicato e cipistas organizaram a categoria e, valendo-se de atuação
junto à DRT e audiência com o Ministro do Trabalho Luiz Marinho,
conseguimos barrar temporariamente a investida do Metrô.
147.
A
luta ainda não está ganha, mas temos todas as condições de sairmos
vitoriosos, pois nossa pretensão de garantir o acordo das Cipas é
legítima e necessária. Os cipistas, diretores de base, delegados
sindicais e ativistas, organizados pelo Sindicato, têm que travar este
debate com o conjunto da categoria e tirar como eixo central da nossa
luta a defesa incondicional das Cipas.
148.
Metrus: Conselhos Deliberativos, Fiscal e Comitê de Gestão dos Planos
de Saúde.
149.
O
Metrus foi uma conquista que os metroviários aguardaram com muita
expectativa, pois tinham em sua criação a esperança de um aposentar
melhor, com segurança e tranqüilidade. O esforço da categoria foi
apropriado pela empresa, que durante muito tempo administrou o
instituto sem a participação da categoria.
150.
Em
virtude da mobilização e pressão de grandes fundos de pensão, como a
Petros, Previ, Funcef e outros, a partir de 2001, passaram a vigorar
as leis federais 108 e 109, que disciplinaram o funcionamento das
entidades de previdência fechada e aberta, criando principalmente a
condição de paridade entre patrocinadores e participantes nos órgão de
gestão dos fundos.
151.
No
campo institucional, a organização dos dirigentes eleitos e dos
participantes em torno da ANAPAR, Associação Nacional dos
Participantes de Fundo de Pensão, é fundamental para a elaboração de
estratégias que permitam a mudança na legislação, conferindo aos
trabalhadores um maior acesso aos órgãos de gestão dos fundos,
tornando-se mais transparentes permitindo uma administração voltada
para criação de mecanismos que atendam as expectativas dos
trabalhadores aposentados do Metrô.
152.
No campo
político, o Sindicato deve acompanhar mais de perto a atuação dos
dirigentes eleitos, inclusive dando respaldo à condução do mandato em
curso. O Sindicato deve discutir com estes representantes, políticas a
serem debatidas e implementadas no instituto, permitindo que estes
dirigentes se comuniquem com a categoria, para denunciar as tomadas de
decisões que prejudiquem os metroviários participantes do Metrus.