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Uma postura
sectária por parte de algumas correntes do sindicalismo tem trazido
prejuízo à unidade dos trabalhadores e de suas entidades de
representação. Após romper com a CUT, em 2004, por acusá-la de não
mais representar os interesses dos trabalhadores e de ter sido
cooptada pelo governo, estas correntes buscam agora atrair sindicatos
para a sua aventura isolacionista, fazendo campanhas pelo rompimento
com a CUT.
Este divisionismo
é baseado, em linhas gerais, na leitura de que o governo Lula é
neoliberal e pró-imperialista; de que a decepção com o governo abriria
caminho para uma ultrapassagem à esquerda; de que a CUT foi cooptada
pelo governo e não cumpre mais papel.
Estas forças se
recusam a compreender o caráter do governo Lula. Ignoram que ele foi
eleito com compromissos de mudança, mas também com compromissos de
continuidade. Desconhecem que tudo o que é novo carrega elementos do
velho e que há uma transição a ser vencida até que um dos elementos
prevaleça. Procuram não enxergar que sem ele teriam sido impossíveis
vitórias de forças políticas não neoliberais em vários países da
América Latina. Aliás, estas correntes não explicam como pode Lula ser
pró-imperialista e ser saudado por líderes como Evo Morales e Hugo
Chavez, por exemplo.
Ignorando aquilo
que em política costuma-se chamar de correlação de forças, acreditam
que a decepção com os rumos do governo abriria as portas para uma
revolução no Brasil. Como que acreditando numa predestinação, têm
certeza, ao arrepio de todas as evidências, que a debate do atual
governo vai resultar num grande movimento de massas que será
canalizado por sua inexpressiva corrente política. Negam à exaustão a
evidência de que a derrota deste projeto favorece a volta da direita
neoliberal ao poder. E neste afã fazem coro com os que desejam
desacreditar a política, como está explícito no último slogan do PSTU:
“Fora Todos!”. Rebaixam assim a consciência do povo, pois reproduzem a
falsa idéia de que políticos são todos iguais.
Por último,
apostam em debilitar a maior central do país para crescer sua
corrente. Para isso, saíram da CUT e estão se agrupando no híbrido
CONLUTAS, numa postura francamente oportunista. Vejamos: dizem que a
CUT foi cooptada, através de benesses, pelo governo Lula e que não
joga mais papel como organização dos trabalhadores. A “cooptação”
estaria expressa no imobilismo da central e de seus dirigentes,
ignorando a rica composição interna da CUT, em que diversas correntes
políticas estão representadas. A crítica à postura da CUT nos embates
com o governo, desde o início, é alvo de debates e polêmicas internas,
tendo inclusive produzido alguns avanços, como a 2ª Marcha do Salário
Mínimo. De fato, é necessário uma postura cada vez mais mobilizadora
da CUT na defesa dos trabalhadores. Mas ainda que fosse verdadeiro o
que diz o PSTU, sair da CUT trombeteando serem os representantes da
“pureza” no meio sindical, equivale a abrir mão de dirigir, no caminho
que julgam correto, a luta de milhões de trabalhadores, o que equivale
à captulação.
Como resultado do
isolamento, se até o presente momento não se tem notícia de que os
trabalhadores fazem fila nas sedes do CONLUTAS e do PSTU para pedir
filiação, por outro lado, sabe-se que esta política já consegue
produzir efeitos nocivos à unidade dos trabalhadores. Com o
acirramento das discussões sobre a saída da CUT, que têm sido levadas
a cabo nos sindicatos, aumenta a tendência aos fetiches, como da
construção de entidades sindicais “puras”, “revolucionárias”, abrindo
vasto caminho a um discurso de partidarização das mesmas, o que
contraria a tradição de entidades amplas e massivas de trabalhadores.
Ao se julgarem tão
impolutas e superiores, estas forças se isolam irremediavelmente da
luta dos trabalhadores. Àqueles que quiseram aprender, a história
sempre ensinou: a divisão, nesses casos, é sempre a pior das
operações.
Wagner Gomes, vice-presidente da CUT