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Nº 489 - 06/04/2006


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Uma postura sectária por parte de algumas correntes do sindicalismo tem trazido prejuízo à unidade dos trabalhadores e de suas entidades de representação. Após romper com a CUT, em 2004, por acusá-la de não mais representar os interesses dos trabalhadores e de ter sido cooptada pelo governo, estas correntes buscam agora atrair sindicatos para a sua aventura isolacionista, fazendo campanhas pelo rompimento com a CUT.

Este divisionismo é baseado, em linhas gerais, na leitura de que o governo Lula é neoliberal e pró-imperialista; de que a decepção com o governo abriria caminho para uma ultrapassagem à esquerda; de que a CUT foi cooptada pelo governo e não cumpre mais papel.

Estas forças se recusam a compreender o caráter do governo Lula. Ignoram que ele foi eleito com compromissos de mudança, mas também com compromissos de continuidade. Desconhecem que tudo o que é novo carrega elementos do velho e que há uma transição a ser vencida até que um dos elementos prevaleça. Procuram não enxergar que sem ele teriam sido impossíveis vitórias de forças políticas não neoliberais em vários países da América Latina. Aliás, estas correntes não explicam como pode Lula ser pró-imperialista e ser saudado por líderes como Evo Morales e Hugo Chavez, por exemplo.

Ignorando aquilo que em política costuma-se chamar de correlação de forças, acreditam que a decepção com os rumos do governo abriria as portas para uma revolução no Brasil. Como que acreditando numa predestinação, têm certeza, ao arrepio de todas as evidências, que a debate do atual governo vai resultar num grande movimento de massas que será canalizado por sua inexpressiva corrente política. Negam à exaustão a evidência de que a derrota deste projeto favorece a volta da direita neoliberal ao poder. E neste afã fazem coro com os que desejam desacreditar a política, como está explícito no último slogan do PSTU: “Fora Todos!”. Rebaixam assim a consciência do povo, pois reproduzem a falsa idéia de que políticos são todos iguais.

Por último, apostam em debilitar a maior central do país para crescer sua corrente. Para isso, saíram da CUT e estão se agrupando no híbrido CONLUTAS, numa postura francamente oportunista. Vejamos: dizem que a CUT foi cooptada, através de benesses, pelo governo Lula e que não joga mais papel como organização dos trabalhadores. A “cooptação” estaria expressa no imobilismo da central e de seus dirigentes, ignorando a rica composição interna da CUT, em que diversas correntes políticas estão representadas. A crítica à postura da CUT nos embates com o governo, desde o início, é alvo de debates e polêmicas internas, tendo inclusive produzido alguns avanços, como a 2ª Marcha do Salário Mínimo. De fato, é necessário uma postura cada vez mais mobilizadora da CUT na defesa dos trabalhadores. Mas ainda que fosse verdadeiro o que diz o PSTU, sair da CUT trombeteando serem os representantes da “pureza” no meio sindical, equivale a abrir mão de dirigir, no caminho que julgam correto, a luta de milhões de trabalhadores, o que equivale à captulação.

Como resultado do isolamento, se até o presente momento não se tem notícia de que os trabalhadores fazem fila nas sedes do CONLUTAS e do PSTU para pedir filiação, por outro lado, sabe-se que esta política já consegue produzir efeitos nocivos à unidade dos trabalhadores. Com o acirramento das discussões sobre a saída da CUT, que têm sido levadas a cabo nos sindicatos, aumenta a tendência aos fetiches, como da construção de entidades sindicais “puras”, “revolucionárias”, abrindo vasto caminho a um discurso de partidarização das mesmas, o que contraria a tradição de entidades amplas e massivas de trabalhadores.

Ao se julgarem tão impolutas e superiores, estas forças se isolam irremediavelmente da luta dos trabalhadores. Àqueles que quiseram aprender, a história sempre ensinou: a divisão, nesses casos, é sempre a pior das operações.

Wagner Gomes, vice-presidente da CUT

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