Editorial
A vez dos trabalhadores
No momento em que
a maioria das categorias de trabalhadores, do setor público e privado,
entram em campanha salarial, o presidente Lula encaminhou ao Congresso
Nacional, em 08/05, um pacote de medidas provisórias que fortalece a
organização dos trabalhadores e seus sindicatos, com a criação do
Conselho Nacional de Relações do Trabalho (CNRT), o reconhecimento
oficial das centrais sindicais, a ratificação da convenção 151 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a regulamentação das
cooperativas de trabalhadores.
O CNRT representa
um instrumento de negociação entre representantes dos trabalhadores,
do governo e de empregadores, na busca de soluções para os conflitos
da relação capital e trabalho, sem que isto signifique abrir mão de
direitos e conquistas. O reconhecimento das centrais sindicais corrige
uma distorção na estrutura da organização sindical, permitindo uma
atuação de fato e de direito nas discussões mais gerais dos
trabalhadores.
Para a CUT, é o
coroamento de um ciclo de desafios, lutas e conquistas que teve início
na sua fundação. Esta nova fase que se inicia, num momento em que se
realizam o CECUT e o CONCUT, facilitará os debates sobre a elaboração
de resoluções que dêem à central um novo vigor na defesa dos
trabalhadores.
Com a sanção da
convenção 151, os trabalhadores do setor público também terão o
direito de se organizar em sindicatos, fortalecendo sua organização,
com maior poder de negociação, assim como todos os demais
trabalhadores.
A regulamentação
das cooperativas de trabalhadores é uma questão que merece melhor
avaliação, pois, apesar do governo federal ter a intenção de
regulamentar esta forma de organização do trabalho, historicamente,
este mecanismo é usado apara ampliar a exploração de trabalhadores
através de artifícios que burlam a legislação trabalhista e retiram
direitos.
Se o trabalho
formal tem instâncias fiscalizadoras e padece com uma série de
problemas, o que esperar do exercício do trabalho cooperado, ainda que
regulamentado? Sempre lutamos pela valorização e democratização das
relações trabalhistas e por isso consideramos que a sociedade
brasileira conquistou mais um grande avanço, como fruto das pressões e
negociações realizadas entre nossos representantes e o governo.
Contudo,
manteremos nossa independência e autonomia e, organizados,
contestaremos e lutaremos para impedir que a regulamentação das
cooperativas represente sinal verde para que empresários neoliberais
desvirtuem o propósito da existência das cooperativas.