Editorial
Força para os próximos desafios
Se alguém duvidava
da combatividade dos metroviários, os acontecimentos de 2006 são
determinantes para mostrar que estes trabalhadores mantêm sua tradição
de luta.
A tentativa do
Metrô de reduzir a quantidade de Cipas e cipistas, em fevereiro,
impondo um processo eleitoral unilateral, com o objetivo de cassar os
mandatos dos atuais cipistas, encontrou a resistência necessária para
conseguimos reverter este processo, restabelecendo poder de negociação
em bases mais satisfatórias.
Já no mês de
março, nossas vitórias extrapolaram nosso cotidiano! Para impedir a
privatização da Linha 4 – Amarela, abrimos uma ampla frente de
resistência, com o lançamento da campanha “Diga não à privatização do
Metrô”, culminando com várias ações. Entre elas está a suspensão do
edital de licitação pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Tribunal
de Justiça (TJ), que reconheceram as irregularidades e ilegalidades no
processo. Porém, este embate ainda não terminou.
Em flagrante
desobediência ao TCE e em desrespeito à decisão ainda não reformada
pelo TJ, o Metrô republicou o edital, tentando, num último suspiro
moribundo, entregar o Metrô à iniciativa privada.
Fechando o mês com
chave de ouro, a conquista da PR quebrou a lógica dos anos anteriores,
quando a empresa só pagava a PR depois do período vencido. Com esta
negociação, todas as parcelas serão pagas em 2006.
A partir daí,
seguimos com fôlego para o nosso 8º Congresso, realizado no final de
abril. Apesar de mais uma tentativa da empresa de emperrar nossa
organização, dificultando a liberação dos companheiros, contamos com
expressiva participação, o que conferiu à categoria grande êxito em
mais esta atividade. Saímos dali convictos e com unidade para fechar
uma campanha salarial vitoriosos. E foi o que ocorreu!
Valeu a pena a
mobilização, participação nas assembléias e atos públicos, chegando ao
fim do processo com ganhos históricos, como a periculosidade para os
OTs da Linha 5 e o anuênio para todos.
Mas no próximo
semestre de 2006 ainda teremos grandes desafios a enfrentar. No
estado, o desejo neoliberal de privatizar o Metrô, a Sabesp, a Nossa
Caixa, a CEETSP e, até os dados da Secretaria de Segurança Pública,
dão a dimensão da importância de elegermos um governante comprometido
com a necessidade de recolocar nos trilhos a locomotiva do Brasil, e
dar continuidade ao governo popular e democrático que vem recuperando
a capacidade do país de promover justiça social com distribuição de
renda, sendo esta a principal tarefa dos metroviários, em virtude de
seu papel protagonizador de lutas sociais.