Campanha Salarial 2006
Sucesso foi a marca
desta Campanha


Assembléia do dia 29/05, vota pelo encerramento da campanha
Quando iniciamos a campanha salarial de 2006, e durante o nosso 8º
Congresso, debatemos as dificuldades que enfrentaríamos durante o
processo de negociação, e elegemos as principais bandeiras da campanha
salarial. A que marcou os objetivos dos metroviários, bem como nossa
estratégia de organização, foi a recuperação do adicional por tempo de
serviço, retirado da categoria em 2001, após dois dias de greve contra
a decisão do TST de cassar todo o nosso acordo coletivo
Negociações e
manifestações
Entregue a pauta
de reivindicações ainda em março, as negociações só começaram em
17/05, antevendo um processo difícil e sem grandes avanços.
Durante as
reuniões entre o Sindicato, comissão de negociação e Metrô, ficava
evidente que a posição da empresa resumia-se em renovar as cláusulas
pré-existentes e repor o índice da FIPE. Contudo, aos metroviários não
caberia outra providência a não ser preparar um enfrentamento duro e
sem trégua, exigindo nossos direitos e conquistas.
Jornal do Usuário,
setoriais, decretação da greve e carta aberta à população explicando
os motivos da nossa paralisação levaram a empresa, mais uma vez, a
apelar ao judiciário na tentativa de inviabilizar nossas ações e
impedir nosso direito de greve, sem, porém, ter a intenção de avançar
nas negociar.
A posição firme do
Sindicato de colocar a bandeira do anuênio como carro chefe da
campanha somada à unidade da categoria, que também abraçou bandeiras
pontuais como reajuste salarial, aumento real, periculosidade dos OTs
da Linha 5, movimentações nas áreas, admissão dos diretores Alex e
Gentil, entre outras, deram à campanha salarial de 2006 uma vitalidade
que contagiou a todos.
Contra-proposta
Frustradas as
negociações diretas com a empresa e a audiência de conciliação no TRT,
restou aos metroviários, se preparar para a greve, na assembléia de
29/05. Como última tentativa de acordo, nos comprometemos a aguardar e
apreciar uma proposta da Cia. antes das providências para a
organização da paralisação.
Por volta das
19hs, recebemos uma carta proposta do Metrô, onde as principais
reivindicações da categoria estavam contempladas, inclusive um pequeno
percentual de aumento real (2,03%) – algo que nos últimos dez anos foi
reivindicado pela categoria, mas nunca atendido.
Porém, o pagamento
do anuênio contemplava apenas os metroviários que ingressaram na Cia
de maio de 2001 até abril de 2002. Os demais companheiros continuavam
excluídos desta conquista.
Na pressão
Seguindo
orientação da diretoria do Sindicato, e sem titubear, por unanimidade,
os metroviários presentes na assembléia rejeitaram a proposta
apresentada pelo Metrô, mesmo correndo o risco de ver retiradas todas
as outras conquistas atendidas na carta da empresa.
Como faltava pouco
para que a proposta contemplasse a categoria, a assembléia concordou
com uma nova tentativa de negociação com a direção do Metrô e governo
do estado.
O presidente do
Sindicato, Flávio Godoi, fez contato com o presidente da empresa, Luiz
Carlos F. David e, paralelamente, o deputado estadual Nivaldo Santana
(PCdoB) contatou o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir
Fernandes, que, frente à iminência de greve já aprovada pela
categoria, resolveram atender a reivindicação de garantir o anuênio a
todos os metroviários contratados até 29/05/2006.
Vitória histórica
O recebimento da
correspondência encaminhada pela empresa confirmando o pagamento do
anuênio para todos, provocou uma explosão de alegria que tomou conta
da quadra, que estava tomada pelos metroviários.
Por unanimidade,
nossa campanha salarial foi encerrada com uma expressiva vitória da
união e determinação de uma categoria que sabe fazer história com
sabedoria, responsabilidade e, principalmente, consciência de classe.
Como disseram os
presidentes do Sindicato, Flavio Godoi, e da Fenametro, Wagner Fajardo,
foi uma vitória muito importante, mas devemos continuar organizados
para garantir direitos e conquistas para os companheiros, no presente
e também no futuro. Estão todos de parabéns!
O que conquistamos
Os resultados
desta campanha salarial têm um significado muito mais abrangente do
que podemos avaliar, pois a reconquista do anuênio para todos os
metroviários acaba com a sensação de termos na categoria duas classes
de trabalhadores, uma com direitos e outra excluída, consagrando que
os metroviários que entrarem na empresa a partir de então terão esta
conquista defendida pelo conjunto da categoria.
O pagamento da
produtividade quebra uma lógica do Metrô de não reconhecer o esforço
dos metroviários pela manutenção de um serviço público, estatal e de
qualidade reconhecido pela população usuária. A readmissão de um
dirigente arbitrariamente demitido, durante a execução de tarefas
deliberadas pela entidade sindical, restabelece o reconhecimento da
autonomia e organização do Sindicato, ao definir quais lutas e
bandeiras serão defendidas por seus dirigentes. Mas, talvez, a vitória
mais expressiva tenha sido a conquista do adicional de periculosidade
para os companheiros da Linha 5 – Lilás, pois, além de reparar um erro
que vinha sendo cometido contra os companheiros OTs, consolida o
reconhecimento de que a alimentação aérea também traz riscos elétricos
para os trabalhadores envolvidos, inclusive para os futuros
companheiros da linha 4- Amarela, que estamos lutando para que seja
operada pelo Metrô.