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Nº 494 - 10/07/2006


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SP livre da privatização
do Metrô, por enquanto

Pela segunda vez, o Tribunal de Justiça suspendeu o processo de licitação da Linha 4 – Amarela, legitimando a luta dos metroviários para fazer valer seus direitos e de toda a população, contra a concretização desta PPP proposta pelo ex-governador Geraldo Alckmin

A Justiça reconheceu as ilegalidades e irregularidades denunciadas pelo Sindicato nos últimos 9 meses e suspendeu a republicação indevida do edital pelo governo Estadual e Metrô. Fez isso “em nome do interesse público e atento às mais elementares regras de prudência no trato com o dinheiro público”, sem citar os prejuízos trabalhistas e sociais representados pela PPP da Linha 4 – Amarela.

O resultado da análise preliminar do TJ avaliou que as contestações do Sindicato têm fundamento, e não quis arriscar a perda do patrimônio público e do direito dos cidadãos, permitindo a continuidade da licitação.

Posteriormente o julgamento final deste processo será realizado, e aí então o Sindicato acredita que a concessão da Linha 4 – Amarela à iniciativa privada poderá ser definitivamente engavetada.

Mais argumentos

É importante citar que o Ministério Público do Estado também deu seu parecer favorável à causa dos metroviários a partir de uma análise detalhada das denúncias feitas pelo Sindicato. Reconheceu os prejuízos desta privatização e da escabrosa transferência do dinheiro público à iniciativa privada, considerando este processo “um prêmio ao empresário equivocadamente chamado parceiro” e ainda que “trata-se de manifesta capitalização das vantagens e socialização dos prejuízos, mal que faz da décima economia do Planeta a nação mais injusta na distribuição de riquezas” e mais,“É a consagração do capitalismo selvagem, o capitalismo sem risco para os poderosos, sempre em prejuízo popular”.

Mobilização e futuro

Não existe data marcada para acontecer o julgamento da ação protocolada pelo Sindicato e sociedade organizada, e este fato é a condicionante para que o governo Estadual e a Cia. continuem tentando a privatização.

Diante deste contexto, é extremamente importante que os metroviários continuem cumprindo seu papel de cidadão na defesa de direitos e da boa prestação de serviços à população. É possível que o governo e o Metrô movam ações para tentar cassar as liminares concedidas ao Sindicato, mas também é improvável que juízes, desembargadores e promotores mudem de opinião, já explícitas e fundamentadas publicamente, para dar carta branca ao governo e Metrô, colocando em risco o patrimônio público e os direitos da população.

Além de continuar mobilizados, a medida mais relevante e duradoura que a categoria deve tomar e propagar é o voto em candidatos que sejam contra a privatização. Com isso, poderemos garantir que a cidade de São Paulo fique livre da privatização do Metrô por mais quatro anos.

 

A privatização na vida real

Em 1998 o Metrô do Rio de Janeiro foi privatizado, e até hoje os trabalhadores sofrem com as conseqüências disso.

À época, 1200 funcionários foram demitidos e 576 transferidos para a empresa concessionária, que criou uma segunda tabela salarial para os recém-contratados. Benefícios como convênio médico e odontológico foram cortados, e a jornada de 6 horas foi extinta.

A defasagem dos salários é escandalosa, pois os bilheteiros que poderiam estar recebendo hoje, em média R$ 900, recebem R$ 450.


Compromisso com os metroviários

Conforme deliberação do 8º Congresso dos Metroviários, o Sindicato encaminhará aos candidatos ao governo do Estado ofício cobrando posicionamento sobre a privatização da Linha 4 – Amarela do Metrô. No próximo Plataforma, divulgaremos a posição de cada candidato.

 

Foto1: Metroviários na passeata "Por mais direitos para o povo", convocada pela Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS

Foto 2: Audiência no Palácio dos Bandeirantes em 03/07/2006

Foto 3: Distribuição de Carta Aberta explicando à população os motivos do nosso movimento

Foto 4: Café com Usuário como parte da campanha "Diga NÃO à privatização do Metrô"

 

Fotos: Maurício Morais

 

 

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