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Nº 500 - 09/10/2006

 


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“Quem sabe faz a hora não espera acontecer”

Pra não dizer que não falei das flores - Geraldo Vandré

O atual presidente do Sindicato, Flávio Montesinos Godoi, começou a trabalhar no Metrô como agente de segurança, em 1975 – na época em que o corpo de segurança estava começando a ser implantado. Com o passar dos anos, Godoi se tornou supervisor operacional de linha, sendo o primeiro a ocupar tal posição vindo do corpo de segurança. Em 1983 começou sua militância sindical, sendo demitido na greve da campanha salarial de 1988, e em 1996, foi preso quando participava da greve contra a política de arrocho do governo FHC. O primeiro mandato de Godoi como presidente foi de 2001 a 2004, quando foi reeleito. Hoje, toda a diretoria tem travado intensos embates com o governo do Estado e a Cia. para garantir os direitos e conquistas da categoria e da população. Na entrevista que segue Godoi contou, em linhas gerais, quais foram e ainda são os principais destaques e desafios de suas gestões.

Como foi formada a chapa de seu primeiro mandato?
Como nas gestões anteriores, fizemos a convenção cutista, da qual participaram três correntes: Unidade e Luta, encabeçado por mim, Articulação Sindical, encabeçado por Eduardo Pacheco, e Alternativa Sindical, por Sérgio Carioca. Depois montamos uma chapa proporcional à quantidade de votos que cada uma teve na convenção. Esta foi a chapa 1, que disputou com a chapa 2, chamada Renovação, encabeçada por Assis Pereira, ligado ao grupo tucano na Cia. Ganhamos com aproximadamente 73% dos votos.

Como foi esta gestão?
Tivemos grandes dificuldades, porque estávamos enfrentando a política do governo do PSDB no Estado de SP, desde 1994, que sempre foi na linha de não avançar nas conquistas, retirada de direitos e zero de reajuste de salários. Fizemos uma greve de dois dias, na campanha salarial de 2003, e chegamos a um final vitorioso. Além de conseguirmos reajuste salarial, reconquistamos o pagamento da hora extra 100%, que havia sido reduzido para 50%, em 2001. O Metrô e o governo do Estado recorreram ao Supremo Tribunal Federal, inclusive contratando o ex-ministro do Trabalho, Almir Pazzianoto, como advogado para fazer a sua defesa. Mas com a unidade e mobilização da categoria, e a competência do nosso departamento Jurídico, especialmente do Dr. Magnus, conseguimos provar que a categoria estava correta no encaminhamento da campanha salarial e através de uma interferência do Tribunal Superior do Trabalho conseguimos um tento a nosso favor e encerramos a campanha no segundo dia de greve.

Como foi o processo de reeleição?
Foi por meio da convenção, com a participação de três correntes. Na Unidade e Luta houve consenso de que eu tentaria a reeleição. A Opção Sindical foi encabeçada pelo Boquinha, e a Alternativa Sindical, novamente por Sérgio Carioca. O resultado foi balanceado. Compusemos uma chapa única que dirige o Sindicato até hoje. Nosso mandato vai até novembro de 2007.

Quais foram os destaques deste segundo mandato?
Acho que tiveram alguns destaques. A conquista do adicional risco de vida para o corpo de segurança, e a extensão deste benefício para os agentes de estação que trabalham em bilheteria. Na campanha salarial deste ano também conseguimos resgatar o anuênio para os metroviários que foram admitidos em maio de 2001 até 2006. Outra conquista foi a extensão da periculosidade para os companheiros que atuam no tráfego da Linha 5. Em 2005 nós já havíamos conquistado este direito para a manutenção da Linha 5.

A tentativa de privatização da Linha 4 –Amarela tem marcado seu segundo mandato. Qual a sua avaliação sobre a luta da categoria contra a implantação deste projeto?
É uma luta ferrenha que travamos com o governo do Estado e a direção do Metrô contra esta Parceria Público Privada (PPP), que nós somos contra. Mas entre todos os trabalhadores envolvidos em processos de privatização no Brasil, os metroviários estão conseguindo resistir e barrar a retirada de direitos e a entrega do patrimônio público à iniciativa privada. Nós entendemos que o Metrô está cometendo uma série de irregularidades e ilegalidades, que estamos questionando no Tribunal de Justiça, e aqui ressalto a competência do nosso advogado, Dr. Paulo Cunha. Temos a convicção de que vamos sair vitoriosos deste processo. Lutamos contra um projeto do governo do Estado que quer entregar para a iniciativa privada todo o patrimônio que é construído com dinheiro público, como é o caso da Linha 4 – Amarela, que querem entregar para a iniciativa privada explorar por 30 anos. Esse é o projeto do governo tucano.

Qual a sua avaliação quanto ao resultado do primeiro turno das eleições?
A eleição do governo do PSDB no Estado foi um desastre para o funcionalismo público estadual de um modo geral, e para a população também. Eu acho que todos que conviveram com a política deste governo desde 1994, principalmente os funcionários públicos, não teriam nenhum motivo para votar no candidato do PSDB, porque eles vão continuar este projeto de privatização do Metrô, da Nossa Caixa, da Sabesp, da educação, da saúde e tantas outras. Por isso, espero que não só os metroviários, mas a sociedade de um modo geral tenham bastante consciência na hora de votar para presidente no segundo turno.

Quer deixar alguma mensagem para os metroviários?
Quero dizer que tenho orgulho de pertencer a esta categoria, de conseguir o respaldo dos companheiros na condução de uma entidade tão importante como a nossa, e que a categoria continue firme e decidida, como sempre foi. Os trabalhadores nunca devem perder as esperanças, e sempre acreditar no poder de sua força, a única capaz de mudar os rumos do nosso país.

Foto: Godoi na passeata dos Movimentos Sociais denunciando a privatização da Linha 4 - Amarela

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