“Quem sabe faz a hora não espera
acontecer”
Pra não dizer que não falei das flores - Geraldo
Vandré
O
atual presidente do Sindicato, Flávio Montesinos Godoi, começou a
trabalhar no Metrô como agente de segurança, em 1975 – na época em que
o corpo de segurança estava começando a ser implantado. Com o passar
dos anos, Godoi se tornou supervisor operacional de linha, sendo o
primeiro a ocupar tal posição vindo do corpo de segurança. Em 1983
começou sua militância sindical, sendo demitido na greve da campanha
salarial de 1988, e em 1996, foi preso quando participava da greve
contra a política de arrocho do governo FHC. O primeiro mandato de
Godoi como presidente foi de 2001 a 2004, quando foi reeleito. Hoje,
toda a diretoria tem travado intensos embates com o governo do Estado
e a Cia. para garantir os direitos e conquistas da categoria e da
população. Na entrevista que segue Godoi contou, em linhas gerais,
quais foram e ainda são os principais destaques e desafios de suas
gestões.
Como foi formada a
chapa de seu primeiro mandato?
Como nas gestões
anteriores, fizemos a convenção cutista, da qual participaram três
correntes: Unidade e Luta, encabeçado por mim, Articulação Sindical,
encabeçado por Eduardo Pacheco, e Alternativa Sindical, por Sérgio
Carioca. Depois montamos uma chapa proporcional à quantidade de votos
que cada uma teve na convenção. Esta foi a chapa 1, que disputou com a
chapa 2, chamada Renovação, encabeçada por Assis Pereira, ligado ao
grupo tucano na Cia. Ganhamos com aproximadamente 73% dos votos.
Como foi esta
gestão?
Tivemos grandes dificuldades, porque estávamos enfrentando a política
do governo do PSDB no Estado de SP, desde 1994, que sempre foi na
linha de não avançar nas conquistas, retirada de direitos e zero de
reajuste de salários. Fizemos uma greve de dois dias, na campanha
salarial de 2003, e chegamos a um final vitorioso. Além de
conseguirmos reajuste salarial, reconquistamos o pagamento da hora
extra 100%, que havia sido reduzido para 50%, em 2001. O Metrô e o
governo do Estado recorreram ao Supremo Tribunal Federal, inclusive
contratando o ex-ministro do Trabalho, Almir Pazzianoto, como advogado
para fazer a sua defesa. Mas com a unidade e mobilização da categoria,
e a competência do nosso departamento Jurídico, especialmente do Dr.
Magnus, conseguimos provar que a categoria estava correta no
encaminhamento da campanha salarial e através de uma interferência do
Tribunal Superior do Trabalho conseguimos um tento a nosso favor e
encerramos a campanha no segundo dia de greve.
Como foi o
processo de reeleição?
Foi por meio da convenção, com a participação de três correntes. Na
Unidade e Luta houve consenso de que eu tentaria a reeleição. A Opção
Sindical foi encabeçada pelo Boquinha, e a Alternativa Sindical,
novamente por Sérgio Carioca. O resultado foi balanceado. Compusemos
uma chapa única que dirige o Sindicato até hoje. Nosso mandato vai até
novembro de 2007.
Quais foram os
destaques deste segundo mandato?
Acho que tiveram alguns destaques. A conquista do adicional risco de
vida para o corpo de segurança, e a extensão deste benefício para os
agentes de estação que trabalham em bilheteria. Na campanha salarial
deste ano também conseguimos resgatar o anuênio para os metroviários
que foram admitidos em maio de 2001 até 2006. Outra conquista foi a
extensão da periculosidade para os companheiros que atuam no tráfego
da Linha 5. Em 2005 nós já havíamos conquistado este direito para a
manutenção da Linha 5.
A tentativa de
privatização da Linha 4 –Amarela tem marcado seu segundo mandato. Qual
a sua avaliação sobre a luta da categoria contra a implantação deste
projeto?
É uma luta ferrenha que travamos com o governo do Estado e a direção
do Metrô contra esta Parceria Público Privada (PPP), que nós somos
contra. Mas entre todos os trabalhadores envolvidos em processos de
privatização no Brasil, os metroviários estão conseguindo resistir e
barrar a retirada de direitos e a entrega do patrimônio público à
iniciativa privada. Nós entendemos que o Metrô está cometendo uma
série de irregularidades e ilegalidades, que estamos questionando no
Tribunal de Justiça, e aqui ressalto a competência do nosso advogado,
Dr. Paulo Cunha. Temos a convicção de que vamos sair vitoriosos deste
processo. Lutamos contra um projeto do governo do Estado que quer
entregar para a iniciativa privada todo o patrimônio que é construído
com dinheiro público, como é o caso da Linha 4 – Amarela, que querem
entregar para a iniciativa privada explorar por 30 anos. Esse é o
projeto do governo tucano.
Qual a sua
avaliação quanto ao resultado do primeiro turno das eleições?
A eleição do
governo do PSDB no Estado foi um desastre para o funcionalismo público
estadual de um modo geral, e para a população também. Eu acho que
todos que conviveram com a política deste governo desde 1994,
principalmente os funcionários públicos, não teriam nenhum motivo para
votar no candidato do PSDB, porque eles vão continuar este projeto de
privatização do Metrô, da Nossa Caixa, da Sabesp, da educação, da
saúde e tantas outras. Por isso, espero que não só os metroviários,
mas a sociedade de um modo geral tenham bastante consciência na hora
de votar para presidente no segundo turno.
Quer deixar alguma
mensagem para os metroviários?
Quero dizer que tenho orgulho de pertencer a esta categoria, de
conseguir o respaldo dos companheiros na condução de uma entidade tão
importante como a nossa, e que a categoria continue firme e decidida,
como sempre foi. Os trabalhadores nunca devem perder as esperanças, e
sempre acreditar no poder de sua força, a única capaz de mudar os
rumos do nosso país.
Foto: Godoi na passeata dos Movimentos Sociais denunciando a
privatização da Linha 4 - Amarela