Editorial
A ameaça continua
Por mais que
tenham tentado nos impedir, no Jornal do Usuário a ser distribuído
para a população, nos dias 26 e 27/10, destrinchamos sobre os males
causados pelas privatizações em todo o Brasil e, em especial,
alertamos para o risco das privatizações da Linha 4 – Amarela e da
estação de tratamento de água do Alto Tietê, que abastece vários
municípios de São Paulo e toda a zona Leste.
Isso porque a
lógica de administração da elite neoliberal segue daí pra pior, quando
até a Petrobras entra no bojo das vendas de estatais. Ela não se
conforma com a interrupção do Programa Nacional de Desestatização (PND)
inaugurado no governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo e
continuada pelo governo FHC, mas diante da recusa da maioria da
população aos processos de privatização e suas conseqüências, nega
suas intenções.
A fina flor desta
elite conservadora chegou a assinar cartas de compromisso e apareceu
em TVs, rádios e jornais afirmando que não vai privatizar nenhuma
estatal. Curioso é que episódio parecido ocorreu em 1994, quando Mário
Covas foi eleito. O ex-governador encaminhou uma carta a todos os
funcionários do Banespa garantindo que não venderia o banco para a
iniciativa privada, e meses depois começou o desmonte da estatal.
Resultado: cerca
de 5 mil funcionários foram demitidos, e a dívida pública do país que
era de R$ 108,8 bilhões (21,6% do PIB - Produto Interno Bruto) em
1994, saltou para R$ 654,3 bi, (42,7% do PIB), ao final de 2002.
Há certas práticas
que fazem parte de projetos, são ideológicas, e se retiradas de seu
contexto descaracterizam o todo. Aqui vale ressaltar que os princípios
de gerência dos conservadores neoliberais são baseados sim na proteção
à propriedade privada e desprendimento do bem público.
Muito do Brasil já
foi entregue para o capital privado estrangeiro, como a Vale do Rio
Doce, que hoje tem o processo de sua venda investigado; a Telefônica,
que presta péssimos serviços e tem altas tarifas; assim como a
Eletropaulo, que hoje é AES e muito deixa a desejar aos seus
consumidores, entre muitas outras.
O esvaziamento do
Estado foi intenso e ininterrupto, e agora que conseguimos detê-lo não
podemos vacilar. Valorizemos o que é nosso! O Brasil é nosso!