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Nº 501 - 26/10/2006

 


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Editorial

A ameaça continua

Por mais que tenham tentado nos impedir, no Jornal do Usuário a ser distribuído para a população, nos dias 26 e 27/10, destrinchamos sobre os males causados pelas privatizações em todo o Brasil e, em especial, alertamos para o risco das privatizações da Linha 4 – Amarela e da estação de tratamento de água do Alto Tietê, que abastece vários municípios de São Paulo e toda a zona Leste.

Isso porque a lógica de administração da elite neoliberal segue daí pra pior, quando até a Petrobras entra no bojo das vendas de estatais. Ela não se conforma com a interrupção do Programa Nacional de Desestatização (PND) inaugurado no governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo e continuada pelo governo FHC, mas diante da recusa da maioria da população aos processos de privatização e suas conseqüências, nega suas intenções.

A fina flor desta elite conservadora chegou a assinar cartas de compromisso e apareceu em TVs, rádios e jornais afirmando que não vai privatizar nenhuma estatal. Curioso é que episódio parecido ocorreu em 1994, quando Mário Covas foi eleito. O ex-governador encaminhou uma carta a todos os funcionários do Banespa garantindo que não venderia o banco para a iniciativa privada, e meses depois começou o desmonte da estatal.

Resultado: cerca de 5 mil funcionários foram demitidos, e a dívida pública do país que era de R$ 108,8 bilhões (21,6% do PIB - Produto Interno Bruto) em 1994, saltou para R$ 654,3 bi, (42,7% do PIB), ao final de 2002.

Há certas práticas que fazem parte de projetos, são ideológicas, e se retiradas de seu contexto descaracterizam o todo. Aqui vale ressaltar que os princípios de gerência dos conservadores neoliberais são baseados sim na proteção à propriedade privada e desprendimento do bem público.

Muito do Brasil já foi entregue para o capital privado estrangeiro, como a Vale do Rio Doce, que hoje tem o processo de sua venda investigado; a Telefônica, que presta péssimos serviços e tem altas tarifas; assim como a Eletropaulo, que hoje é AES e muito deixa a desejar aos seus consumidores, entre muitas outras.

O esvaziamento do Estado foi intenso e ininterrupto, e agora que conseguimos detê-lo não podemos vacilar. Valorizemos o que é nosso! O Brasil é nosso!

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