Última Edição:
Nº 503 - 14/12/2006

 

Notícias:
a

 

Edições anteriores

 

 

Editorial

Derrota da oligarquia

No começo de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) pôs fim à cláusula de barreira ao acolher uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) encabeçada pelo PCdoB.

A cláusula de barreira estabelecia que os partidos que não obtivessem 5% dos votos para deputados federal em nível nacional, e no mínimo 2% em nove estados, teriam direito a somente dois minutos por semestre, em rede nacional de rádio e de TV, teriam que ratear com os demais partidos apenas 1% dos cerca de R$ 120 milhões do Fundo Partidário, além de que seus deputados e senadores poderiam falar e votar no plenário, mas não participariam de CPIs e não teriam direitos a indicar líderes.

O objetivo da cláusula de barreira era a eliminação das demais correntes de pensamentos, convergindo para a representatividade de uns poucos partidos, reeditando a época da ditadura, quando existia somente Arena e MDB.

Foi por unanimidade que os ministros do STF rejeitaram esta pérola da burguesia, tomando como base argumentos usados desde o início para tentar impedir a aprovação desta medida, considerada uma espécie de “ditadura da maioria” pelo relator da matéria, ministro Marco Aurélio Mello.

A partir de então, ficou comprovado que se a cláusula de barreira estivesse vigente os princípios da Constituição de 88 referente ao pluralismo político, à soberania do voto popular e ao Federalismo seriam feridos de morte. Representaria a repressão às minorias, tirando seu direito à existência.

Todos os ministros que participaram do julgamento da cláusula de barreira tiveram o entendimento de que este dispositivo representaria um retrocesso à democracia brasileira, que há tão pouco vem tentando se estabelecer.

O posicionamento da ministra Carmem Lúcia é um exemplo disso. Para ela, a “minoria de hoje tem que ter espaço para ser maioria amanhã”, e a cláusula de barreira não permitiria o crescimento dos pequenos partidos.

Com a decisão do STF de enterrar a cláusula de barreira podemos ter a convicção de que o processo de democratização do Brasil segue em passos firmes, para o desespero da elite que não mede esforços para tentar conquistar a hegemonia.

Além disso, significa o progresso da representação da classe trabalhadora, reforçando o valor e importância da decisão dos cidadãos, por meio do voto.

voltar